Golconda e outros meios de Salvação

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Golconda e outros meios de Salvação

Mensagem por Mestre do Jogo em Qui Jun 28, 2012 11:13 pm

Golconda e outros meios de Salvação


Para a maioria dos Membros, ser um vampiro significa ser Amaldiçoado para todo o sempre. Muitas lendas falam do vampirismo como uma maldição atribuída não somente a Caim, mas ao próprio Demônio. Tornar-se um vampiro significa ser desprezado para sempre por Deus e pelos homens e, com isso, uma não-vida de horror conduz à eternidade no Inferno. Mesmo aqueles vampiros que escarnecem dessa "superstição" encaram, todavia, um inferno secular de algum tipo em suas Bestas, suas Fomes e no simples tédio que se desenvolve no decorrer dos séculos de sua existência.

Não é nenhuma surpresa, portanto, que alguns Membros falem de um estado de existência no qual seriam capazes de transcender sua fome e fúria eternas. Diz-se que os vampiros que atingem esse estado, chamado de Golconda, dominaram a sua Besta interior a tal ponto que ela não exerce mais controle sobre os seus atos. Embora continuem atados à necessidade por sangue, os vampiros em Golconda precisam de muito menos do que seus parentes mais vorazes.

Mais do que isso, eles têm a capacidade de sufocar os ímpetos da Besta a tal ponto que jamais precisam temer perder o controle. Eles já não são mais Membros, em sua acepção total, mas constituem uma espécie de criatura.completamente diferente, mais elevada.

Segundo as histórias, a Golconda é privilégio de poucos entre os mortos-vivos, e esses já não fazem parte da Jyhad ou da sociedade de seus semelhantes. Eles habitam lugares ermos, em companhia das feras da mata e dos pássaros do céu. Até os lobisomens deixam os mestres da Golconda sossegados, pois eles não são Amaldiçoados e sim Abençoados. Os vampiros em estado de Golconda às vezes visitam a grande sociedade dos mortos-vivos, em busca de discípulos a quem possam guiar nos caminhos da Golconda - mas, só o fazem em segredo, pois a Jyhad se aborrece com eles, que não querem ter mais nada a ver com isso. Algumas histórias dizem que um dos Antediluvianos encontrou o caminho para a Golconda e que este ser pretende tanto levar outros Amaldiçoados para o total estado da graça da Golconda, como frustrar os planos de seus rivais. Na verdade, ninguém tem certeza - e se tiver, não o dirá.

Dentro da Camarilla, a Golconda é encarada como uma fábula agradável, mas, no mínimo, excêntrica - uma alegoria para incentivar a manutenção da Humanidade, nada mais. Diz-se que alguns entre os Inconnu conhecem os segredos da Golconda, e que eles
auxiliam ativamente a sua obtenção - mas, no que se refere a esses reclusos, boatos é que não faltam, também. Os Sabá, em contrapartida, escarnece da Golconda e daqueles que a buscam, considerando-os não merecedores da condição vampírica. Os lobos, dizem eles, não deveriam tentar imitar as ovelhas.

O Mestre do Jogo tem total liberdade para incluir a Golconda em suas crônicas, e os jogadores poderão persegui-la, se quiserem. Alcançar a Golconda, entretanto, não é algo que possa ser simulado com tabelas e pontos de experiência. Ela é tão efêmera e ao mesmo tempo tão poderosa quanto o amor ou a auto-aceitação e a sua obtenção deveria ser o objetivo de uma crônica inteira. Em geral, os personagens só ficam sabendo sobre a Golconda após passarem algum tempo entre os mortos-vivos, pois o que se sabe sobre ela só é divulgado por meio de charadas sussurradas entre aqueles que a procuram. Muitos vampiros nunca ouviram falar sobre a Golconda.

A busca da Golconda abrange não somente a procura por conhecimentos cifrados, mas também a procura pela verdade no próprio ser do vampiro. Uma coisa é certa - os vampiros que desejam atingir a Golconda devem ser capazes de sentir remorso e demonstrá-lo.

Quanto maiores forem os pecados de um vampiro, maior a penitência necessária. Os vampiros que desejam entrar em Golconda devem procurar as famílias de suas vítimas e repará-las de algum modo, devem proteger os mais fracos e tentar tornar o Mundo das
Trevas um lugar melhor. Isso envolve, inevitavelmente a manutenção da própria Humanidade e o gasto de Força de Vontade para fazer boas ações (e evitar os atos hediondos) sempre que possível.

Como já mencionamos, atingir a Golconda só deveria ser possível no final de uma crônica longa (meses, ou anos, em tempo real) e árdua. Durante essa crônica, os personagens devem atender a determinados critérios. Eles precisam atingir níveis de Humanidade de 7 ou mais e níveis de Consciência de 4 ou mais e devem manter esses
níveis por períodos prolongados. Eles sempre devem procurar sobrepujar os piores efeitos do frenesi, lutando contra os ímpetos e gastando pontos de Força de Vontade se necessário, para evitar cometer atrocidades. Mais do que isso, eles precisam demonstrar, no decorrer de dúzias de histórias, um comportamento penitente, abstinente e honrado. O uso do poder, a alimentação indiscriminada e os jogos da Jyhad devem ser evitados pelos vampiros que buscam o caminho da redenção.

Tipicamente, por volta da metade da crônica, os personagens da Golconda viajam em busca de um mentor, conhecido por saber os segredos da Golconda. Ao encontrar esse mentor, os vampiros precisam provar ser merecedores, enfrentando desafios e respondendo a charadas. Essas tarefas costumam conduzir os aventureiros por um sem número de grandes perigos tanto para seus corpos, quanto para suas almas.

O ponto culminante da crônica vem quando um vampiro merecedor passa por um ritual chamado o Suspiro. Ás vezes o vampiro é abordado por outros que já atingiram a Golconda, que o conduzem no teste; outras vezes, o mentor conduz o Suspiro; e, outras vezes ainda, o vampiro viaja para as regiões agrestes e passa sozinho pelo Suspiro. Os efeitos exatos do ritual são desconhecidos (e estão nas mãos do Mestre do Jogo), exceto que sabe-se que ele envolve uma perigosa jornada no mundo dos sonhos e, finalmente, na própria alma do vampiro. Esta é uma tarefa extremamente difícil e muitos vampiros falham em superá-la com a sua não-vida ou a sua sanidade intactas.

Há ainda aqueles que voltam do Suspiro sem sofrer nada, mas tendo falhado para sempre em ganhar a Golconda. Não há uma segunda chance, por isso talvez o quinhão desses últimos seja o mais amargo de todos.

Se um vampiro conseguir atingir esse estado legendário, os efeitos são verdadeiramente miraculosos. O principal entre eles é a imunidade total ao frenesi e ao Rótschreck. O vampiro nunca mais cometerá um ato maligno sob a influência da Besta (embora o jogador possa optar por pecar, os dados nunca mais forçarão o personagem a fazer o mal). Embora um vampiro em Golconda precise beber vitae, ele nunca mais precisa temer tirar demais de uma vítima inadvertidamente.

Assim, também, o personagem já não precisa beber sangue com tanta frequência. Ele passa a perder um ponto de sangue por semana, ao invés de um ponto por noite. O personagem continua precisando gastar sangue normalmente para ativar Disciplinas, curar ferimentos etc.

Mais do que isso, um vampiro em Golconda transcende parcialmente a Maldição que une o seu próprio Sangue à fonte de Caim.

Ao fazê-lo, ele pode aumentar qualquer uma das suas Características até o nível de 10, independente da geração. A sua reserva de sangue, porém, continua a mesma.

Um vampiro em Golconda deve manter padrões rígidos de pureza física e mental. Se o seu nível de Humanidade vier a ficar abaixo de 7, ou o seu nível de Consciência abaixo de 4, ele perderá todos os benefícios da Golconda, inclusive o aumento nas suas Características.

TORNANDO-SE MORTAL

Além das histórias sobre a Golconda, algumas lendas da Família falam de vampiros que se livram da Maldição de Caim e tornaram-se mortais novamente. Nenhum vampiro parece conhecer algum de seus semelhantes que tenha feito tal coisa; todas essas histórias talam do "amante do aliado do meu senhor", ou do "neófito de algum príncipe distante" ou algum outro indivíduo indefinido. Os catalizadores que estão por trás de uma mudança dessas podem variar desde o assassinato do seu próprio senhor, ao encontro do amor verdadeiro passando pelo ato de sacrificar-se abnegadamente por outra pessoa (e tornando-se mortal, ao ser sacrificado). A maioria dos Membros, cínicos e entediados como são, zombam, dessas histórias - os atos de amor verdadeiro ou de sacrifício abnegado são mesmo muito raros no mundo dos Amaldiçoados. Em última
análise, a verdade sobre essas lendas é uma decisão do Mestre do Jogo

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