O Cordeiro Massacrado

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O Cordeiro Massacrado

Mensagem por Mestre do Jogo em Dom Set 16, 2012 3:26 pm


Ballantree Road, cerca de 15 quilômetros do Centro de Vancouver e a aproximadamente 7 quilômetros do Cipilano Golf and Country Club, quase no fim da estrada encontra-se uma das Tavernas mais curiosas e freqüentadas da Columbia Britânica, o Cordeiro Massacrado.

A construção de maciços tijolos vermelhos, aberta 24 horas por dia 7 dias por semana, atrai todo o tipo de público. Os que procuram por música podem se divertir com as bandas amadoras, ou profissionais, que ocasionalmente apresentam-se no pequeno palco ao lado do balcão principal do estabelecimento, ou com a vasta coleção musical contida na Juke Box que toca de tudo, desde Chuck Barry até Amy Winehouse, permitindo assim que os mais empolgados possam dançar, ou simplesmente dublar as músicas no palco.

As várias prateleiras de madeira maciça que percorrem todo o espaço da parede colocada atrás do balcão estão sempre repletas de todos os tipos de bebidas, nacionais e estrangeiras. Quer um Old Ray? Primeira prateleira, de cima pra baixo, da esquerda pra direita, segunda garrafa. Quer um Licor de Butiá do Brasil? Terceira prateleira, de baixo pra cima, da direita pra esquerda, quinta garrafa.

A cozinha também oferece vários tipos de refeições, petiscos e lanches, pratos frios e quentes. As mesas dispostas ao longo da Taverna possuem as cadeiras forradas de couro preto e são perfeitamente confortáveis para aqueles que querem beliscar e beber alguma coisa, ou para apenas bater um bom papo.

Para aqueles que beberam além da conta, ou que precisam de um lugar para dormir a Taverna possui alguns quartos no andar superior que podem ser alugados por uma noite ou mais, dependendo da carteira do hóspede. Os quartos são pequenos, mas totalmente funcionais e limpos. Todos com banheiros individuais.

A decoração do local é composta por vários artigos de caça e pesca. Cabeças empalhadas de animais, peixes mumificados, machados, espingardas, facas e facões, anzóis, cantis, iscas, peles de animais, etc. Isto, e a lareira feita de pedras brancas erguida no centro da Taverna fazem com que o ambiente tenha um ar bem pitoresco, o que geralmente agrada bastante aos turistas que vem em busca do “Velho Canadá Selvagem”.

A clientela é tão vasta quanto diversificada. Turistas procuram o lugar que é tido como um dos pontos mais curiosos de Vancouver. Prostitutas costumam fazer ponto dentro do estabelecimento para oferecer seus serviços aos turistas e pela comodidade de poderem alugar os quartos da Taverna. Traficantes agem discretamente distribuindo suas mercadorias com leves apertos de mão. Políticos encontram ali um ambiente cheio onde troca de “favores” escusos podem ser feitos sem levantar suspeita. Criminosos planejam seus golpes enquanto bebem uma ou duas doses de bebida. Em suma, O Cordeiro Massacrado não é tão bem freqüentado, e muitos cidadãos de boa índole de Vancouver evitam o lugar, mas essa fama não chega até os turistas que pensam estar entrando numa Taverna como outra qualquer do mundo.

Talvez o conjunto destes motivos explique o porquê desta Taverna estar sempre cheia, especialmente durante a noite quando, não raro, é preciso esperar em pé no balcão para conseguir um lugar em alguma mesa.

O proprietário do estabelecimento é Dheimos Dalton, um homem de humor e modos bastante peculiares. Só o que se sabe dele é que é um escocês que chegou cerca de 30 anos atrás na cidade. Dizem as más línguas que depois de tantos anos de olhos e ouvidos abertos o velho Dalton possui mais informações sobre o submundo de Vancouver que qualquer outra pessoa. Apesar da enorme barreira que ele ergue para se isolar, quem conseguir vencer a sua mordacidade e o seu sarcasmo descobre um homem versado em vários assuntos do mundo, especialmente História e Ocultismo.

Apesar de permitir que assuntos ilícitos sejam tratados no interior de seu estabelecimento, Dalton não interfere em nenhum deles, nem com as prostitutas, nem com os políticos, nem com os criminosos, nem com os traficantes. Os motivos para que ele faça vista grossa para tudo isso permanece um mistério.

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Re: O Cordeiro Massacrado

Mensagem por Jamie Mitchel em Dom Ago 25, 2013 7:10 pm

Omsk, Rússia

Correr, algo que muitas pessoas apreciam, afinal, é um ótimo exercício, fortifica os músculos, mantem o corpo saudável, te da energia para completar as atividades do dia a dia, maaaas, não tão divertido quando você está sendo perseguido por três homens armados e você tem apenas...seus punhos e sua otima condição física para continuar correndo e achar um lugar perfeito para encurrala-los e terminar o serviço. A otima habilidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo permite que Jamie atenda o celular que não havia parado de vibrar nos ultimos quinze minutos.  

- Mitchel, cade você? Pergunta a voz irritada do outro lado da linha.

- Meio ocu....pada, tentando me....AAaaahh...manter...So um minuto. Uma longa pausa com ruidos de luta ao fundo e o estampido de um tiro.

-Mitchel!!

- ...me manter viva numa missão suícída, que por sinal foi ideia sua, portanto se você zela pela sua vida e quiser que eu termine essa misão sem ser atingida por uma bala entre meus estonteantes olhos esverdeados, você terá que ser paciente. Me encontre daqui dez minutos no local combinado, estou a caminho.

Ao chegar no local combinado, respirando fundo se recompondo da longa corrida, com uma mochila nas costas, ela observa ao redor antes de se aproximar, nenhum sinal de Igor, tudo estava calmo, na verdade, calmo até demais, sabia que algo estava errado. Foi quando ouviu o click da arma.

- Olá Mitchel!! Diz o homem apontando sua desert eagle para Jamie que se vira para encarar o homem cuja a voz ela conhecia muito bem. Surpreendida, ela levanta as mão para cima se redendo a situação carregando uma expressão confusa.

- Igor, o que você está fazendo?

- Desculpe Mitchel. Um estampido e gradualmente sua visão escureceu.


Vancouver (horas depois)

- Só mais cinco minutinhos. Resmunga ela tentando desligar o alarme que na falha em descorbrir quais dos botões desligava aquele barulho ensurdecedor, acabou sofrendo um trágico acidente colidindo contra a parede. Parede??Alarme? Cama?? Jamie se levantou de supetão para realizar que estava em um quarto de qualquer hotel barato de beira de estrada ou não. Ela caminha cautelosamente até a janela olhando ao redor do quarto tentando entender como ela havia chego ali. Ao olhar pela janela, o cenário lhe parecia familiar, mas se recusava em acreditar que aquilo não era somente um sonho, foi então que ela encarou os folhetos sobre o criado mudo que dizia “Bem Vindo a Vancouver” em letras garrafais.

- Não, não, não....isso não pode estar certo. Eu estou sonhando, tenho certeza que me drogaram e eu estou tendo alucinações. Acorda Jamie. Sussurava enquanto dava tapinhas em seu próprio rosto. Tudo estava confuso. Ela voltou a sentar na cama e levou ambas as mão na cabeça tentando colocar um sentido em tudo aquilo.

- Não.... Sussurou ela erguendo a cabeça com os olhos arregalados relutante em acreditar no que havia acabado de passar pela sua cabeça. - Preciso de uma bebida. Passou a mão em....nada, pois se deu conta que tinha apenas a roupa do corpo e nada mais, nem mesmo sabia se o hotel estava pago, mas daria um jeito naquela situação, e sabia exatamente onde encontrar tudo o que precisava.

A caminhada certamente fora longa, mas Jamie teve tempo de andar por aquelas ruas que uma vez estiveram sob seus pés, mas que por muito tempo ficaram esquecidas. Vancouver não havia mudado tanto nesses anos que esteve afastada de casa, e tudo indicava que ela não iria pra nenhum lugar fora de Vancouver tão cedo. Chegando ao local desejado, Mitchel encara a porta por alguns segundos e finalmente abre a porta adentrando o local enquanto puxava fortemente o ar para os pulmões com os olhos fechados ela sussura. - Charuto, cigarro, forte cheiro de scotch se misturando ao suor de homens e perfume barato das adoraveis mulheres da noite, com uma leve fragrancia de jogatina....Ela abriu os olhos com um sorriso maroto. - Algumas coisa nunca mudam. Sussura olhando ao redor do bar até seus olhos descansarem sobre aquela figura que enchia seus olhos de luz (pois se fosse de purpurina seria um problema). Ela caminha em direção ao balcão ainda com o sorriso maroto nos lábios, se debruça no balcão chamando ateção do grandalhão.

- Justamente o homem que eu procurava. Disse ela ainda encarando as costas de Latrell.
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Re: O Cordeiro Massacrado

Mensagem por Anthony Stark em Seg Ago 26, 2013 11:20 am

Mais uma noite andando por Vancouver e lentamente e seguindo o fluxo de carros a minha frente . A fumaça que saem dos carros velhos e as buzinas  não param de soar, também, elas são comuns a esta hora da noite   pois todos desejam chegar rápido em suas  casas afim de poderem   passar o resto da noite com  suas famílias e talvez assistirem um ou dois programas juntos. Bom, já eu , não me encaixo neste padrão  familiar... Não que eu não queira chegar rápido em casa ou algo do tipo , só digo que não há ninguém esperando por mim lá. O banco de couro é confortável e macio o suficiente o bastante para me fazer encostar o carro e dormir por aqui mesmo, o volante hidráulico tão leve que mal  sinto o as rodas do carro em contato com o asfalto e a musica lenta que  ouço saindo das caixas de som , uma musica serena tranqüilizando-me mais ainda,  o leve ar condicionado quente batendo em meu rosto confortando-me ainda mais   quase me faz cair no sono. Ando cansado ultimamente e não tenho tido muito tempo para dormir  fazendo-me viver de energéticos ,remédios e outras porcarias a mais .
-È .... é hora de tomar algo Ivory !
( Minha desert Eagle ), companheira de todos esses anos  de trabalho duro que estava repousada ao meu lado no outro banco do carro .
-Que tal acharmos um lugar para pararmos antes de ir para casa ?..... Ahn?
“ Tenho o costume de falar com ela , pois nunca tive um parceiro neste trabalho então a única que me entende é ela.”
- Ok... vamos nessa ! È só virar  na próxima esquina e estaremos la!
Viro a esquina e continuo por mais alguns metros ,paro o carro na porta do estabelecimento um lugar chamado “O cordeiro Massacrado “ ... Han ...nome interessante para um bar , penso comigo . Desligo o carro e logo em seguida o som  abro o porta luvas e pego um pequeno pote de remédios colocando-o no bolso da jaqueta . Antes de sair respiro por um minuto , olho para Ivory e digo:
- Quer vir ? ... è claro que sim não é pois nunca nos separamos  .
Pego-a colocando no coldre debaixo da jaqueta , saio do carro e logo após batendo a porta trancando-a. Olho para a porta do lugar examinando-o por um instante e ao mesmo tempo sentindo o vento frio que fazia ali fora  batendo em meu rosto e vendo a fumaça  de minha respiração causada também pelo mesmo,apreso-me e entro no lugar.
Após ter entrado olho rapidamente para todas as pessoas reunidas ali indo em direção ao balcão  e logo me espantando com o tamanho do cara que estava ali ( Jack Latrel)  , ao chegar sento-me a distancia de um banco ao lado de uma Linda moça (Jamie) )  sentando meio de lado e colocando meu cotovelo sobre o balcão para poder enxergar melhor as pessoas que ali estavam .
- Grandão , traga-me uma vodka por favor ... não.... melhor.... duas vodkas. Sorrio levemente agradecendo-o e fazendo um leve movimento com a cabeça.

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Todas as pessoas vivem confiando na sua sabedoria e no seu conhecimento, e ficam presos a eles. Eles chamam isso de "realidade". Entretando sabedoria e conhecimento são ambíguos, deste modo, a realidade não é nada além de uma "ilusão". Então não seria errado dizer que cada pessoa vive mediante suas próprias convicções.
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Re: O Cordeiro Massacrado

Mensagem por Dheimos Dalton em Seg Ago 26, 2013 2:14 pm

Os cristãos o chamam de Santo Graal. Nicolas Flamel a batizou de Pedra Filosofal. Ponce de Leon a buscou como Fonte da Juventude.

Para os que ouviam as histórias com ouvidos descrentes isso pouco importava, tratava-se apenas de fábulas, nada mais. Mas os que tinham os ouvidos crentes das crianças a questão era levada com um pouco mais de seriedade.

Dheimos não tinha os ouvidos das crianças, era um arqueólogo... ou fora, em um tempo que parecia ter se passado séculos atrás, quando o sobrenatural para ele representava apenas fenômenos que os povos antigos não conseguiam compreender... como os relâmpagos ou os eclipses. Para alguns descobrir que a magia realmente existe seria algo extraordinário... para ele, lembra-o de que era mais feliz quando ainda era um ignorante.

Três objetos míticos conhecidos por nomes, culturas e séculos diferentes, mas que possuíam o mesmo propósito fundamental: prolongar a vida. Prolongar a vida... viver eternamente, que maravilha, que bênção... poder viver para sempre, ter todo o tempo do mundo para fazer e conhecer o que quiser, ver e visitar cada canto do mundo, ter a oportunidade de tentar tudo sem medo de perder.

Porém o que muitos viam como uma Graça Divina não teve nada a ver com Graça, mas sim com a Maldição Divina. Algo tão antigo e poderoso que iniciou-se nos primórdios da história dos homens, quando um irmão matou o outro por ciúmes.... quando Caim matou Abel, atraindo a Ira do Verbo que fez cair sobre ele a maldição da imortalidade, o Sinal de Caim, o Primeiro Vampiro, para que todos soubessem quem era ele, e para que sua vingança caísse sete vezes sobre aquele que o matasse.

Durante muito tempo cogitou-se que o Sinal de Caim não era essencialmente uma marca deixada em seu corpo, mas um artefato físico, um diadema que continha incrustrada em seu centro uma pedra redonda, onde refulgia escarlate em seu interior o sangue do primeiro inocente assassinado sobre a terra... o sangue de Abel. O único meio de remir os pecados de Caim, de acabar com a maldição do vampirismo... não de um vampiro, mas de todos os vampiros, de uma só vez.

As pessoas riram dessa história por anos sem conta. As pessoas riram de todos que acreditaram nela. As pessoas riram daqueles que buscaram por ela. Mas agora ele está de volta, o Olho da Eternidade está com ele... as pessoas riem dos outros, nenhuma pessoa ri dele...


A porta do Cordeiro Massacrado se abre lentamente. Todo o barulho e algazarra cessa quando os olhos presentes caem sobre ele. Eles sabem quem ele é, o Diabo retornara ao Cordeiro... e desaba em seguida, com uma poça de sangue se formando sob seu corpo... Dheimos Dalton jaz inconsciente no chão de seu pub....

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Re: O Cordeiro Massacrado

Mensagem por Jack Latrell em Ter Ago 27, 2013 7:18 am

“E aquele velho safado que não volta? Isso tá o caos...”

O Cordeiro é um bar constantemente movimentado. Há os que passam pela fria manhã de Vancouver para tomar um rabo de galo e esquentar o corpo. Claro que servimos café também. Forte, quente, gostoso. Parece até um Latrell... Pela manhã o movimento é pouco, mas mesmo assim há movimento. Até a hora do almoço a coisa é mais tranquila, dá para sair, comer, descansar e deixar nas mãos do barman.

Recebemos as visitas dos ilustres bêbados conhecidos e até as quatro da tarde a coisa é tranquila. Quando o relógio marca quatro e meia da tarde, eu começo a limpeza para a turma da noite. A velha vassoura parece ter pulado de um filme de bruxas de antigamente. Velha e de palha. O cabo de madeira com o pedaço de plástico na ponta com aquele conhecido furo para pendurar nos arames que sempre temos em casa. Logo após tirar o grosso, o velho balde de alumínio entra em ação e o seu amigo pano velho e rodinho de madeira com a ponta de borracha gasta entram junto. Não dá pra deixar aquilo limpo, mas dá para dar uma cara mais bonita ao conhecido Cordeiro.

Trajado com uma calça jeans e uma camiseta preta, uma touca preta para cobrir a careca, espero a noite cair, confiro os equipamentos de segurança, revólver, espingarda, a faca na bota, a calibre doze no encaixe do balcão. Tudo certo, carregadas, prontas para o uso. O velho pano de algodão já está em minhas mãos, limpo o balcão por onde passa o copo de conhaque. O relógio marca o início da noite em Vancouver. O sol está se pondo e o Cordeiro começa a criar a vida de sempre.

Chega o primeiro futuro bêbado da noite, junto a ele, quatro ou cinco raparigas dos mais diversos tipos. Com grandes peitos, com grandes bundas, com grandes barrigas. Com cada roupa brega que se Gabana olhasse aquilo iria ter um ataque de pelanca.

Passo o pano limpando o restante do balcão. O pano de algodão que já fora branco, hoje encardido passa pelo balcão deixando fiapos, desmanchando-se no balcão de madeira. Pano também usado para secar os panos que são cuidadosamente passados por baixo da água que cai da pia. E só. Os já secos ficam atrás de mim em uma prateleira de prata. Os sujos permanecem a meu lado direito. Um dos que ali estão pedem um agrado.

– Amiga... Se você fosse mais clarinho, eu pegava. Mas de negão, basta eu.

Viro as costas e atendo uma mulher que chega com um bafo de marofa da bexiga. Se ela pensasse em soltar uma bufa deixaria o cara atrás dela mais alto que o Bob Marley. Enquanto atendo a piranha tetuda, ouço uma voz que há muito tempo não escutava.

- Justamente o homem que eu procurava.

O tipo de mulher que se o cara for viado, vira homem só pra tentar... Essa já está no meu currículo, e se quiser dá pra rolar de novo, ao menos eu penso assim. Se quiser, estamos aí, One Night Stand é o que há quando o assunto é a Jamie.

– Vadia... Hoje a noite vai ter. Se vira e vem limpa. – Viro-me para ver a mulher.

Apoio uma das mãos no balcão, e olho nos olhos claros da morena.

– Já falo com você. Aqui, toma um uísque. 8 anos, é o mais pedido.

Perto de Mitchel um outro homem senta. Perto do balcão também, mas uma cadeira de distância. Olha para mim e pede:

- Grandão , traga-me uma vodka por favor ... não.... melhor.... duas vodkas.

– Dose dupla, ou em dois copos, bonitão?

Mal dá tempo de terminar de falar. A porta se abre mostrando a sombra conhecida. O chapéu na cabeça, e assim que a porta termina de abrir, o corpo cai ao chão. Em volta do corpo, sangue. Pulo o balcão já mandando todos saírem dali. Claro que era algo mais complicado que parece, e de certo seria.

- Jamie, libera espaço pra mim. Parceiro, a vodka fica por conta da casa se der jeito de arrumar essa zona de bar e limpar o boteco.

Chego até Dalton e tento da melhor maneira carrega-lo até o fundo do Cordeiro. Lá poderia ver o que havia acontecido, preparar o velho para leva-lo para a Mina e finalmente saber que merda estava havendo por ali. Só precisava que o boteco fosse fechado temporariamente.

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Re: O Cordeiro Massacrado

Mensagem por Cassie Lola Danvers em Ter Ago 27, 2013 11:12 pm


[ DEVANEIOS INTRODUTÓRIOS DISPENSÁVEIS E DESNECESSÁRIOS ]

   

Desde que tenho consciência dos meus atos, Cassie Lola Danvers era como minha mãe me chamava para enfatizar o quão errada ela considerava alguma atitude minha. Kesla era como meu irmão Liam me chamava quando eu precisava de afago ou concelhos.  Algumas primaveras mais velho faziam com que ele se achasse eternamente responsável por mim. Nem o fato de descobrir que não temos necessariamente a mesma origem fez sua admiração por mim ser abalada. É bem possível que ela tenha aumentado, mesmo eu me recusando a aceitar.

Quando tudo emergiu, ele, de longe, foi o mais afetado. Já para mim, tudo pareceu fazer sentido. Sei que ele teria dado sua vida se fosse necessário para me poupar de tal verdade, ainda mais da forma como chegou até nós. Vomitada com ódio; com palavras carregas de desprezo e amargura. Cheguei a questionar a necessidade de tanta agressividade. Mesmo assim, acabei por compreender, já que, pensando friamente, me coloquei em seu lugar.

Foi um misto de perda e encontro sem brechas para discussões ou perguntas - apenas fatos inquestionáveis. Eu não era filha do meu pai e, por consequência, era apenas a meia-irmã de Liam, e esses pareciam os únicos fatos que me foram permitidos saber, mesmo que contra a vontade da principal envolvida. Para ela, isso era muito mais do que eu precisava saber. Passado o calor do momento, ela até se mostrou disposta a dizer tudo o que eu queria saber. Como nada era tudo o que eu queria ouvir dela, concordamos em discordar, e ela resolveu que, por hora, o assunto deveria ficar de lado. Pelo menos foi o que ela me fez acreditar.

Fui privada da verdade durante treze primaveras. Treze anos de questionamentos esclarecidos com apenas uma declaração: eu não fazia parte daquela família. Por várias vezes ele me pareceu engasgado, só que jamais cheguei a imaginar tamanho e o poder devastador daquele engasgo.

"Veja o que sua filha fez" não era apenas uma frase machista dos séculos passados aplicada no presente. Era a realidade sendo jogada na minha face por tantas vezes que me faltam dedos para contar. E eu nunca quis notar nenhum dos diversos sinais que ele me mandava todos os dias.

Nada daquilo passou a ter importância mais para mim. Você pode pensar que, depois disso, eu sonhava em conhecer o meu verdadeiro pai e toda essa baboseira sobre a descoberta da minha verdadeira origem. Contrariando a lógica, apenas rezava para o dia deu sair daquele inferno que um dia considerei meu lar. Liam e eu. E é bem possível que os eventos posteriores tenham sido fruto das minhas orações, mas jamais imaginei que seria daquela forma - atendidas por um Deus jocoso e sádico que distorceu completamente meus pedidos e resolveu interpretá-los de forma livre e criativa.

Caminhar pelo gramado do colégio era ruidoso como deve ser no outono; as folhas secas dançavam ao som do vento brando e morno, promovendo um chacoalhar ritmado agradável aos ouvidos. As folhas alaranjadas costumavam fazer as vezes de marca páginas. Três delas já eram abraçadas por passagens importantes d' O Apanhador no Campo de Centeio; quando a quarta pousava sobre a próxima página significativa, três pessoas de alta importância no colégio se colocaram na frente do sol que iluminava as páginas amareladas do livro em questão. Ele foi fechado com violência ao som seco das folhas se partindo. Eu nada havia feito e isso era mais do que suficiente para me deixar inquieta com a interrupção.

Foi informado a mim que meu pai me aguardava, e que eu devia me apressar. Tragédias foram as únicas coisas que surgiram na mente - e das mais variadas. Como ninguém, além de nós quatro sabia que eu não fazia parte daquela família, procurei pelo pai de Liam ao entrar numa sala, mas tudo o que vi foram três policiais, dois homens trajando preto e... Pela primeira vez eu me vi em outra pessoa. Um homem ruivo lançava-me um olhar invasivo e, simultaneamente, descrente. Ele tirou os cabelos do rosto por duas ou três vezes antes de caminhar em minha direção e abraçar-me com ternura. Nem nos mais loucos delírios imaginei um momento como aquele. Era, no mínimo, desconfortável. Eu, rodeada de estranhos, num momento íntimo de afeto gratuito com outro estranho era, no mínimo... Estranho.

Após o ocorrido, recordo-me apenas de poucos flashes e de alguns protestos em meio às lágrimas. Lembrança mesmo, só a de ser levemente sedada para causar menos inconveniente. Um sequestro legalizado foi a única explicação plausível e racional que consegui dar a mim mesma antes de apagar.

Depois que acordei, a viagem foi um compilado de tentativas falhas de diálogo. Era uma das poucas ocasiões que eu não sabia o que falar, ou mesmo o que responder ou perguntar. Ao desembarcarmos, certeza mesmo só a de que não estávamos mais na Escócia.

Assim se passaram semanas, meses, até que conseguíssemos manter uma conversa coerente de mão dupla.

Já com minha meia-irmã a conversa fluía com uma naturalidade espantosa. Não temos apenas a mesma idade, como nascemos no mesmo dia. Mesmo desafiando o lógico e o natural, ela nunca pareceu olhar para mim como se eu fosse a culpada, a fonte, a raiz de todo o mal e de toda a desgraça daquela família, como fazia o nosso avô.

Quando cheguei à casa deles, Darcy, como chamam meu pai, tinha ficado viúvo fazia pouco tempo. Diziam as paredes que ela havia ficado doente de forma súbita e irreversível quando descobriu sobre a minha existência e, consequentemente, a de minha mãe. Sempre que parava para observá-lo conseguia enxergar uma culpa e uma dor que poucos ali conseguiam notar diante de tanta seriedade e serenidade. Talvez tudo aquilo fosse mesmo verdade - pensamento que me trazia uma certa amargura e saudade do tempo que a ignorância era uma benção na minha vida.

Foram trinta e dois meses de conversas e descobertas entre pai e filha que tiveram fim com o sumiço de Darcy, após uma viagem de cunho diplomático ao país vizinho. E esse foi o estopim do meu inferno particular.

Na ausência de Darcy, seu pai, Fitz assumiu seu lugar. E esse foi o período de trevas naquela casa. A cada dia que passava, carregava comigo novas marcas pelo corpo. Emma e eu fomos privadas uma da companhia da outra, assim como privadas do mesmo tratamento. Emma foi para um colégio interno e eu permaneci naquela casa. Por outro lado, me foi concedida a companhia de Dylan, que, em poucas palavras, era o escravo particular e intransferível de Fitz.

A princípio, Dyan falava pouco, apenas o indispensável; parecia fragilizado e assustado, mas isso foi mudando, e passamos a ser um o ponto de apoio do outro. Só assim descobri o quão forte e corajoso ele era. Não demorou muito para as paredes falarem novamente, e descobrir que não era a única bastarda debaixo daquele teto. Dylan era, por assim dizer, meio-irmão de Darcy - e, consequentemente, já sabem...

Apesar de possuir o mesmo número primaveras que Liam, ele parecia bem mais velho, e isso me trazia mais confiança. Curávamos um a ferida do outro. Por um bom tempo nos tornamos companheiros. De cárcere, de surra, de quarto, de cavalgadas, de trabalho forçado e, finalmente, de crime.

Durante uma das sessões de tortura física e psicológica do dia - essa por ter sido pega aos beijos com o futuro possível noivo de Emma (que ela se quer conhecia) - algo diferente aconteceu.

Na sala de estar trancada, Fitz, Dylan e eu nos encarávamos, enquanto ele aquecia um pedaço de ferro na imponente lareira do cômodo. Nesse momento eu já tinha lágrimas covardes no rosto, uma testa sangrando e roupas em frangalhos. Dylan estava imóvel e frio como uma estátua de mármore no canto oposto da sala. Fitava-o com um pedido de socorro no olhar, mas ele nada parecia ver. Quando o ferro já parecia quente o suficiente Fitz voltou seus olhos para mim; as chamas da lareira pareciam brilhar em seus olhos. Inconsciente dos meus atos comecei a correr em volta dos móveis. Um pedido foi feito para Dylan: ele devia me segurar. Antes que todas aquelas palavras de ordem fossem ditas, já estava presa em seus braços. Sentia o calor do instrumento cada vez mais intenso a cada passo que Fitz dava em minha direção, assim como o calor do corpo de Dylan envolvendo-me por completo.

Eu estava com os olhos cerrados de pânico quando fui arremessada no chão e ouvi o barulho de móveis se partindo. Ao abri-los, observei descrente pai e filho lutando. Ele ainda tinha o pedaço de ferro nas mãos e Dylan estava em desvantagem - embora seu pai estivesse ferido no braço. Sem tempo para planejamento e contando com o elemento surpresa, corri, arranquei aquela arma das mãos de meu avô e golpeei-o na cabeça. Senti minha carne colar no ferro em brasa e descolar da minha mão assim que o arremessei para o lado. Ele estava morto e eu em choque. Não tinha certeza se meu pesadelo tinha acabado de terminar ou de começar.

O rapaz apanhou a arma do crime e jogou o corpo na lareira com uma serenidade e frieza macabras. Foram minutos de um silêncio aterrorizante: eu, olhando para Dylan, ele, para a lareira. Estava sentada em um poça de sangue com o olhar vazio e trapos encharcados. Dylan caminhou até mim, abaixou-se e sussurrou:

- Fui eu quem fez isso. A culpa é toda minha, você entendeu? É isso que você vai contar para todo mundo, toda vez que alguém vier te interrogar. Todos vão acreditar; não se preocupe, você vai ficar bem - seus lábios tocaram os meus e, a última imagem de tenho é de vidros quebrando e dele saindo pela sacada. Depois disso, as recordações que tenho são todas muito confusas e sem nexo.

Como ele havia previsto, ninguém desconfiou de mim, nem mesmo a polícia. O recado escrito em sangue na parede branca do cômodo não deixaram brechas para dúvidas: As herdeiras serão as próximas. O caso foi encerrado, e ficou concluído que o crime tinha sido movido pela inveja e pela ganância.

Sai daquela casa (como a garota que tentou salva o avô da morte) direito para uma casa da repouso. Foi a única forma covarde que me fez parecer ainda mais inocente.


[ NUM TEMPO MAIS RECENTE ]


   


Depois de cinco meses enclausurada e rodeada de gente perturbada, assim como eu, minha primeira noite de liberdade deveria ser comemorada. Mesmo que de forma solitária e na companhia de estranhos que não notariam minha presença.

Diferente do que achei, não desejava ir para minha nova morada - um apartamento que Emma tinha arrumado para mim, já que eu insistia que jamais moraria novamente naquela casa (uma excelente desculpa para não ter que olhar todo dia para cara dela, sabendo da minha mentira). Aquela noite seria exclusivamente dedicada ao sabor da minha liberdade. Era como se fosse a primeira vez - ou, pelo menos, a primeira vez em muito tempo.

Em todas essas coisas - tragédias e retrospectivas da minha vida... Era no que pensava, sentada no último banco do balcão já na minha terceira bebida que, diga-se de passagem, estava quente e aguada depois de tempo aguardando para ser degustada. Eu estava a poucos minutos a pé do apartamento, e faltava vontade para conhecê-lo.

Nem a música alta, as conversas alteradas, o som dos copos e talheres batendo pareciam tirar minha concentração. A minha concentração em mim mesma... E no que faria dali para frente, e no quanto estava rica. Sim. Com o sumiço de Darcy, que foi dado como morto sem ao menos um corpo como prova, o assassinato de Fitz e Dylan fugitivo, Emma e eu éramos as únicas herdeiras de tudo.  Eu nem tinha o que fazer com tanto dinheiro. Bem, eu até tinha, só que envolvia ver Liam novamente, e isso estava fora de questão naquele momento.

O lance de curtir a liberdade estava falhando miseravelmente.

Diferente da maioria ali, eu não usava cores escuras - um erro para mim, que queria passar a noite anônima. O cabelo preso e a roupa naquele tom de azul me faziam lembrar do uniforme de interna. Trazia comigo um livro, as chaves do meu apartamento e um papel pardo com seu endereço. Aquilo parecia bem mais do que suficiente para mim naquele instante.

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Re: O Cordeiro Massacrado

Mensagem por Neweys Dwant em Qua Ago 28, 2013 10:02 am

-Fale comigo primo. – permaneço sentado na cadeira de madeira em frente ao rapaz ajoelhado enquanto espero ele abrir a boca. “-Ele não parece querer conversar hoje” – insiste o Outro. – Oh, não, se acalme, ele vai falar. – mantenho os olhos no rapaz que agora tenta estancar o sangramento com as mãos – Você é esperto, primo. Por que continua fazendo coisas tolas? Talvez a aparência desse lugar esteja te assustando. Seria isso?

Meus olhos passeiam pelo local, um prédio em construção, judiado pelas ultimas chuvas. Suas pilastras e paredes gélidas são só vistas com ajuda da luz lunar, fraca e assombrosa. Estamos no sexto andar e não sei se ele está tremendo mais de medo ou de frio.

“-Neweys, vamos acabar com isso, já estou ficando impaciente...” – o Outro persiste em seu veredito, mas não consigo confiar totalmente em seus instintos. Os meus dizem que não é boa coisa acabar com o garoto ainda. Muito pelo contrário. É mais negócio mantê-lo vivo, ao menos até conseguirmos “Ela” de volta.

-Primo, eu não quero cortar sua garganta essa noite. O vermelho não é a cor de hoje, talvez seja a de amanhã, mas não de hoje... Todavia, você já me obrigou a tirar seu sangue. Não me obrigue a te entregar pra “Ele”.

-Eu já disse que não sei onde ela está... Olhe em meus olhos como sempre faz! Não estou mentindo! Eu realmente não tenho ideia de onde ela está!

-Eu já disse que essa é uma mentira ridícula de mais. Quando te disse “cuide da minha parceira dessa vez, por que é difícil achar tão boas quanto ela, e não quero arriscar perde-la”... Eu não quis dizer que era pra você sumisse com Ela! – me levanto calmamente enquanto vejo a faca em minha mão. Isso não será agradável... Nem um pouco... – Ei, “Você”... Não mate ele... Mas pode se divertir o quanto quiser. De preferência só pare quando ele falar o que fez com “Ela”.

“-Tudo bem, deixe em minhas mãos...”. – meus olhos buscam o desespero no garoto, minha inspiração nasce em forma de fogo queimando água, insana, e ininterpretável. O céu da minha mente se parte em pedaços desfigurados e se retorcem a um ponto no qual juntá-los só com vontade é notoriamente impossível.

-Nã- Não! Por favor! De novo não! Eu imploro primo! Não faça isso! Eu IMPLORO! NEWEYS NÃO! NÃÃÃO!

Os gritos de desespero são interrompidos com uma mordaça. Suas mãos estão presas com fios de nylon... Seus pés... Estão presos com arame farpado. A faca desliza inicialmente pelo seu rosto. Cortando a testa, evitando o olho, partindo o nariz e finalizando na bochecha. Não muito profundo, mas talvez o suficiente pra deixar uma marca por bastante tempo. Improvável que fique uma cicatriz. Em seguida desenhos começam a ser feitos eu seu tórax. Inúmeros símbolos desnexos começam a se formarem, alguns mais claros, outros simplesmente indecifráveis pra qualquer mente senão a mente “do Outro”.

Um sorriso se forma em meu rosto ao ver o sangue escorrendo, e uma gargalhada ecoa pelo local quando o cheiro fica forte o suficiente pra senti-lo sem precisar me concentrar no mesmo. A carne dele começa a se desmoronar, continuar poderia matá-lo. Eu volto a mim em plena consciência do ocorrido. Levo meu rosto bem próximo ao dele, retiro a mordaça e dou uma risada bem carismática, enquanto a voz agora fala somente em minha mente. “-Você me deixou pouco tempo com o rapaz... Mal pude me divertir...”. Eu ignoro...

-Então é assim que ele evitou que você falasse? Não teria como você desistir com essa coisa na boca, né? Bom, mas você anda sendo muito mau menino. Merece ser surrado um pouco. – observo um pouco as feridas dele – Vou ajudar com isso, mas... Existem duas opções... A primeira se baseia em eu te anestesiar e curar das suas feridas numa boa. Deixo até você descansar por um tempo. E, troco o arame farpado do seu pé por fios de nylon por duas semanas, que tal?... A segunda, entretanto, se baseia em eu esquentar essa faca, e... Bem, fazer quase a mesma coisa que ele fez com você agora pouco... – o sorriso em meu rosto se torna macabro e meus olhos se abrem totalmente, como se buscassem a alma dele – E então... Onde você escondeu “Ela”? Onde está minha Vehementi? Minha espada. Me responda... Fred. Já disse que não quero matar você essa noite.

O rapaz cospe um pouco de sangue, ele está pálido, prestes a desmaiar. – Eu sei que você ainda pode me ouvir, e pode me entender suficientemente bem... Não brinque comigo. Era você quem dizia que eu não sei brinca...

-Ele levou... – Fred decide se entregar – Ele sabe onde estamos. Ele veio... Me viu aqui, trocou meia dúzia de palavras comigo... Pegou ela, e desapareceu...

-E quem é esse infeliz?

-Não faço ideia... Nunca vi na vida...

-E se eu disser que não acredito no que está me dizendo?

-Daí eu tô fodido, por que dessa vez é verdade... E mais uma coisa... Ele também falou que estará te esperando hoje, no Cordeiro Massacrado. Ele disse que vai deixar algo pra você lá... Algo pra que possa se lembrar dele, ou coisa do tipo...

-E você, seu bastardo filho da puta, ia me dizer isso quando?

-... Eu...

-Você não ia dizer, não é? Vou pegar minha Vehementi de volta, e quando eu chegar, vou castrar você... Aproveita que eu arramei suas mãos pela frente e não nas costas pra se divertir, por que essa é a ultima noite que você vai passar com seu colega aí! – retiro um isqueiro do bolso e começo a esquentar a faca.

-Espera aí! Você disse que ia me anestesiar!

-Tem razão. – fecho o punho e com um golpe poderoso contra a cabeça de Fred, nocauteio o mesmo – Prontinho...

(duas horas depois)

Paro o carro numa posição perfeita pra sair direto pra rua, com as rodas traseiras bem em cima da calçada. Logo que saio de dentro do veículo vejo a placa “O Cordeiro Massacrado”. Meus dentes se colidem e eu solto um rosnado enquanto penso que o infeliz que pegou pode estar ali dentro... Enquanto me aproximo do local ouço um pequeno tumulto ali dentro, nada de mais... Ao passar pela porta um cara esbarra no meu ombro enquanto busca sair da taverna. Ao pisar lá dentro ouço o mesmo som de quando se pisa em uma poça. E de fato era, porém de sangue. Me abaixo, aproximo meu rosto do líquido vermelho. Alguns fios de cabelo até mesmo encostam na dita poça. Inalo o cheiro agradável profundamente e até mesmo fecho os olhos para me concentrar. Parece ainda estar quente, e uma vontade de tocá-lo começa a me dominar, porém não vim aqui pra brincar na poça de sangue. Encaro a primeira pessoa que vejo ali perto. Uma fêmea.

-Aí, tinha um cadáver aqui?... Ah, e, mais importante que isso, você viu algum idiota carregando uma espada oriental? Uma katana, o nome dela é Vehementi, tá escrito na bainha.

Mantenho meus olhos na mulher por mais alguns instantes e me levanto observando o local, procurando por algum maldito rato sujo com minha espada. Em uma mistura de sorte e destino - com um pouco de percepção -, noto uma caixa preta com mais ou menos metade do tamanho da katana. Me aproximo com as mãos trêmulas enquanto leio meu próprio nome escrito na caixa. Levo minha mão até a fechadura, abro ela e começo a levantar a tampa.

“Achou que sua espada estava aqui, Idiota? Nós nos encontraremos em breve.” – vejo a mensagem escrita dentro da caixa.

Após quase enfartar, golpeio a caixa e a deixo cair, dou as costas e volto até a entrada. Sento-me na porta enquanto respiro fundo e tento entender qual mente além da “Dele” poderia fazer piadas tão sem graças. Desesperançoso eu reflito.

-Vou ter que arrumar outra espada...

“-Dessa vez qual nome vai colocar?”

-Algo mais simples... Anastasia talvez...

“-Hm, simples não combina conosco.”

-Bom, antes de nomear preciso conseguir a tal espada...

“-Mas que merda... Espadas boas como a Vehementi são raras hoje em dia!”

Por hora, apenas aguardo a noite fazer um pouco da sua magia enquanto me entristeço com a maior perda da ultima década. Minha preciosa Vehementi...

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Re: O Cordeiro Massacrado

Mensagem por Jamie Mitchel em Qua Ago 28, 2013 6:25 pm


Enquanto esperava a atenção de Latrell Jamie pode observar o rapaz no balcão olhando para ela, que desenhou um sorriso malicioso para o mesmo seguido de uma piscadela, afinal ele era uma gracinha com um ar de cafajeste, o que ela não podia negar que eram seus favoritos, sem compromisso sem dores de cabeça. Já tinha estado naquela estrada antes e a experiencia apesar de boa, não acabou como havia esperado, portanto, não estava disposta a repetir o que lhe acontecera no passado. Ao menos aquele passado, pois alguns momentos do passado ela preferia manter vivo, especialmente na atual situação em que se encontrava. Seria abrigada a trazer algumas pessoas de seu passado a vida para se colocar de pé mais uma vez, até mesmo pessoas das quais ela preferia manter enterrados em um infinito burraco negro, trsitemente, ela chamava aquilo de sobrevivênvia, mesmo tendo que colocar sua vida em risco. 


O que seria uma vida se não tivesse um pouquinho de diversão, algumas trocas de tiros aqui, uma perseguição ali, se encontrar presa em um cofre prestes a ser sufocada por falta de ar, ou pela temperatura estar a quase trinta abaixo de zero... É realmente uma vida “normal” como muitos chamam não seria excitante aos olhos de Jamie, já que “normal” não existia em seu dicionário. Ela encara Latrell assim que ele se vira.


Já falo com você. Aqui, toma um uísque. 8 anos, é o mais pedido.

- Sério?? É assim que você trata as amigas,
a falta de sentimentalismo eu dispenso, mas pode continuar mandando o whiskey que com certeza será bem vindo. Ela sorriu e quando estava prestes a levar o copo à boca o silêncio que invadiu o Cordeiro lhe chamou atenção, assim como o homem que estava desmoranando fortemente contra o chão. Não demorou muito para que ela reconhecesse o homem, já que aquele chapéu poderia ser reconhecido a quilometros de distância por aqueles que eram frequentadores assíduos do boteco. Em nenhum momento de sua não tão longa vida frequentando o Cordeiro, Jamie havia visto aquele homem sequer ficar de cama por conta de uma gripe, e olha que a idade avançada não carrega o quesito saúde de ferro, mas para aquele velho guerreiro estar estatelado no chão de seu próprio bar, é por que a coisa é mais séria do que parece.

Jamie então volta atenção para Latrell que pede que ela abra espaço enquanto ele já tomava iniciativa indo em direção ao corpo do velho Dalton. Ela por sua vez soltou a voz mandando todos sairem da frente e empurrando aqueles que pareciam terem problemas auditivos abrindo espaço para Latrell passar carregando Dheimos. Assim que eles foram para os fundos, Jamie fechou a porta atrás de Latrell e voltou a olhar para as pessoas.


- O QUE FOI, VÃO PROCURAR ALGO PRA FAZER, NÃO TEM NADA PRA SE VER AQUI, BANDO DE BEBADOS CURIOSOS.

Caminha até o balcão pegando uma toalha para limpar a poça de sangue que havia se fornado, ao se aproximar, um sujeito meio estranho e completamente fora dos padrões de beleza se vira para ela e pergunta se um corpo havia estado ali. Jamie suspende uma das sobrancelhas encarando o rapaz com uma expressão de poucos amigos encarando-o dos pés a cabeça


- Certamente não é da sua conta e se perdeu algo, tenho certeza que o seja la o que foi perdido, não deve estar sentindo a sua falta. -Eu certamente nao estaria. Pensou ela desviando do rapaz que estava á sua frente para limpar o sangue quando um dos ajudantes do Cordeiro se aproximou de Jamie. 

- Você é Jamie Mitchel?

- Depende de quem pergunta.

- Se for você, tem alguém no telefone pra você. O telefone fica atrás do balcão nos fundos. 


Mesmo achando aquilo muito estranho, Jamie se levantou jogando a toalha na direção do rapaz caminhando até o telefone. Não sabia muito bem o que esperar, mas sabia que não podia ser qualquer um, afinal poucas pessoas sabiam onde acha-la.

- Quem é??

- Mitchel, me encontre no Hell's em quinze minutos. Antes que ela pudesse sizer qualquer coisa o barulho o som que ecoava em seu ouvido indicava que a outra pessoa havia desligado. Com uma expressão confusa ela desliga o telefone e sem pensar duas vezes se apressa para fora do bar em direção al Hell's, se havia uma pessoa que podia lhe dar respostas seria aquela pessoa do outdo lado da linha.
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Re: O Cordeiro Massacrado

Mensagem por Anthony Stark em Qua Ago 28, 2013 11:21 pm

O grandão(latrell) chega , e com um sorriso no rosto diz :
- Dose dupla ou em dois copos  bonitão ?
Mal terminando de falar a porta se abre e uma pessoa totalmente desconhecida para mim entra no cordeiro , e logo em seguida seu corpo vai ao chão fazendo um barulho que na qual já parecia ser um cadáver .
Levanto-me do banco rapidamente  e ao olhar fixamente para o velho , percebo a poça de sangue se formando instantaneamente sobre ele .
-“ Mas ... Mas que merda esta acontecendo ?”  Penso comigo .
O grandão salta o balcão de repente e  grita :
- Jamie , libera espaço pra mim . E parceiro , a vodka fica por conta da casa se der um jeito nessa zona e limpar o boteco .
Só ai percebo que era com a mulher e comigo com quem ele estava falando .
A mulher (Jamie) sai em meio aos curiosos, empurrando os  que ali se amontoavam para ver melhor a decadência de um pobre velho .
O Grandao abaixa-se e leva o pobre senhor para os fundos do bar . Enquanto a mulher volta e pega um pano para limpar aquele sangue que ali ficara e na qual o cheiro já estava forte .
Até que,  um outro ser adentra o cordeiroNeweys , com vestes que pareciam a de um desenho japonês ou algo do tipo, ele  para exatamente em cima do sangue gritando :
- Ai , tinha um cadáver aqui ? e mais importante que isso você viu algum idiota carregando uma espada oriental ?
Meus pensamentos começam a entrar em conflito dentro de minha cabeça .
-“Droga , que merda esta acontecendo aqui ? .Quem era aquele velho ? . Porque o grandão estava tão apavorado daquele jeito ? Quem era a mulher que estava limpando o sangue no chão ? E quem é esse personagem que esta perguntando de espadas ?”
Minha cabeça começa a doer com tantos pensamentos e nenhuma resposta , enfio a Mao por debaixo da jaqueta pegando o vidro de remédios , coloco dois deles em minhas mãos e logo levando-os a boca .
Em seguida , o cara do sobre tudo senta-se perto a porta enquanto a mulher se vai as pressas para fora do cordeiro  e um pobre garoto que deveria ser ajudante do bar  abaixa-se no chão para limpar o sangue que ali estava e terminava o serviço inacabado que a mulher fizera .
Caminho lentamente entrando por trás do balcão procurando um pano para ajudar o pobre rapaz e após encontra-lo sigo em sua direção , agachando-me ao seu lado e ajudando-o a limpar .
- Pronto, terminamos  ...  “ Digo ao garoto “.
Caminhando novamente  em direção ao balcão e jogando o pano sobre o mesmo , viro-me dizendo  em direção as pessoas que ali ainda continuavam, e com voz um pouco mais alta para que todos escutassem  .
- Bem,  senhoras e senhores aos que não tem absolutamente nada para fazer aqui  a direção convidam-lhes  a se retirarem temporariamente, pelo fato de  que todos nós, não sabemos ao certo o que acontecerá aqui neste momento. Aos que quiserem permanecer tenham em mente de que terão que falar com o grandão e ele hoje não parece estar de bom humor.  
Alguns atendendo ao meu pedido saem do cordeiro , alguns sem dizer nenhuma palavra , já  outros resmungando algumas futilidades e poucos  ainda se encontravam ali sendo um deles o cara do sobre tudo .
Viro-me novamente em direção ao balcão e sentando-me  , arrumo a jaqueta cuidadosamente passando a Mao em Ivory assegurando que ela estivesse ali. Sorrio por um instante sem ao menos saber o  por que aguardando as surpresas que poderiam acontecer logo mais , pois a noite só havia começado e eu queria a minha bebida e algumas respostas.

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Re: O Cordeiro Massacrado

Mensagem por Cassie Lola Danvers em Dom Set 01, 2013 1:56 am


[ INCOERÊNCIA NA COESÃO ]


Estava inerte. Os acontecimentos ao redor pouco me importavam. Talvez observasse em particular, de maneira despretensiosa, dois ou três seres ali presentes. Distrações vazias, apenas desvios rápidos de concentração. Precisava deixar minha mente, me tirar do centro dos meus pensamentos. Uma incoerência repleta de coesão - pelo menos para o sujeito principal das frases anteriores.

O fato anterior só foi mudado por alguns insignificantes segundos. Um princípio de confusão que pouco me importava. Alguém só ganhou mesmo minha atenção quando, parecendo usar todo o ar de seus pulmões, nos aconselhou a deixar o local.

A incoerência de alguém ser convidado a se retirar de um local aberto 24h por dia só porque a chapa - e o sangue - ferveu faz com que eu não me mova. Senti uma determinação brotar. Não sairia de lá. Não até desejar. Não por causa de sangue, ou por causa de um corpo - com ou sem vida. Não seria a primeira e única vez, muito menos a última, que um corpo vazando sangue brotava na minha frente. Pelo menos dessa vez a culpa não era minha; só esse pequeno fato já me deixava repleta de alegria espontânea.

Movida por motivações, e sem ver nenhuma ali, indiquei que meu copo estava vazio. Essa sim era uma incrível motivação para meu ato de apontar para um copo, por exemplo.  Nenhuma palavra foi dita. Apenas trocamos olhares. Ele prontamente tornou-se cheio e maior que o anterior. Foi substituído, como tudo e todos nesse mundo.

Copo cheio. Movimentos circulares. Sentidos horário, horário, anti-horário. Gole curto. Hálito mentolado. Longo gole. Hálito quente. Resolvi que era hora do meu copo conhecer outros lugares daquela taverna que não fosse o balcão.

Eu tinha saído do hospício, mas, segundo o álcool me dizia naquele momento, ele, em tempo algum, sairia de mim. Ainda sentia os remédios galopavam pelas minhas veias; seus efeitos somados, multiplicados e subtraídos pelo álcool. Uma matemática difícil de explicar. Ainda mais difícil de sentir. A expressão álcool combustível tinha tomado outro significado para mim no dado momento, embora conseguisse fazer valer ainda outros significados. Tinha a impressão de que estava movida a álcool - ou por ele.

Caminhei guiada pela brisa fria que vinha da entrada; da porta semi-aberta. Ali parei. Não saí, só parei. O líquido dentro do copo ainda continuava em movimento, e o barulho do gelo no copo parecia ecoar na minha cabeça mais alto que o som ambiente. Mais alguém estava ali. Uma das minhas distrações anteriores. Continuava com a palavra espada na boca. Senti-me invadindo a privacidade alheia. Prestar atenção nas palavras ditas por outra pessoa sem ser convidada - muitas vezes útil, muitas mais ainda desnecessárias.  Fingir não ouvi-las pode ser uma questão de vida ou morte. Mas palavras soltas ao vento estão sujeitas a isso. Nem sempre dá para controlar quem ouve o que dizemos. Todos deveriam saber disso.

- Parece que todo mundo veio aqui porque perdeu alguma coisa... Ou para perder, ou porque deseja perder - eu já não sabia se tinha falado aquilo mesmo, ou se tinha apenas pensado. Sabia apenas que aquela certamente não era uma das minhas frases de efeito.

Encostei na porta. Cabeça tombada; cabelo meticulosamente mergulhado no completo caos. Dei uma olhada geral para a taverna. Era como se sentir em casa. Não a casa dos últimos anos. A casa da infância; o cheiro do tabaco, do álcool, da madeira velha, do sangue - do medo. De repente bateu um arrependimento não sei do que, vindo sabe-se lá de onde. Perturbada fiquei. Ignorei, e voltei minha atenção para o copo meio vazio. Ele já tinha mais batom do que meus lábios. Marquei-o mais uma vez com um gole breve e brusco. Os olhos voltaram-se para aquele que estava mais próximo de mim. O destinatário da frase anterior que eu agora tinha certeza ter dito.

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Re: O Cordeiro Massacrado

Mensagem por Neweys Dwant em Seg Set 02, 2013 10:33 am

Todo lugar que eu visito parece ter sangue. E quando não tem, eu geralmente faço a “essência humana” jorrar. Dessa vez não foi bem assim, apesar de eu estar começando a sentir o calor me consumir. O fato de eu não estar mais atrás de Vehementi me faz conseguir raciocinar... Ou coisa assim. Nenhum silêncio permanece de fato no lugar. Desde sussurros até um cão gritante que demonstra pensar ter algum resquício de autoridade quanto ao que eu vou - e quando vou - fazer. Mantendo-me sentado em frente a escadaria da taverna, segurando a porta com meu próprio corpo, viro meu rosto para encarar o indivíduo que tenta fechar o bar sem eu nem ter decidido se vou ou não pegar algo para beber. Após manter meus olhos nesse humano por questão de alguns segundos volto a olhar para fora e ouço a voz do Outro novamente.

“-Não temos muito que fazer aqui...” – de início somente uma voz em minha mente, porém em seguida a voz saia de minha própria boca – “Vamos, decida-se. Vai comprar algo ou vamos voltar para nosso refúgio?”.

-Espere. A noite pode ter algo para nós. Talvez reaver Vehementi se baseie em apenas esperar... Ou esperar pode resultar algo tão interessante quanto isso seria bom. As vezes faz bem ser esperançoso!

Enquanto conversamos, pessoas saem da taverna. Mas ao menos uma fica, além de mim. A garota se aproxima da porta, enquanto segura seu copo. Não me dou ao trabalho de olhar para ela por muito tempo – assim como não me importo em olhar para além da porta da taverna a confirmar quem está ou deixa de estar lá dentro -, só olho o bastante para identificar que suas coxas me atraem. Meu olhar se perde na rua em frente ao Cordeiro Massacrado em seguida.

-Precisamos encontrar uma nova espada. – digo abruptamente, abismado com a situação na qual me vejo. Roubado por um desconhecido, sendo usado como brinquedinho de alguém. Não que eu me importe tanto assim, mas, quando isso me impede de ter o aço embainhado em carvalho na minha cintura...

A voz da garota nasce dentro do local. Ela não parece querer sair... E nem parece ter motivos pra tal. Meus olhos se voltam para ela. Levanto-me lentamente ao terminar de ouvir o que tinha a dizer - ou parte do que tem.

-De fato, literalmente eu perdi. Mas e você? Em qual das opções se encaixa? – aproximo um pouco meu rosto ao da garota. Meus olhos buscam encontrar os dela e a encaro como um animalzinho a ser curiosamente estudado por uma criança.

“-Não temos tempo para brincadeirinhas... Vamos lá. Decida o que fazer”. A voz dele se mantém apenas dentro do meu crânio, porém a insistência do Outro começa a virar um tormento. Tempo é o que mais tenho depois que decidi que minhas responsabilidades não se baseariam em nada mais que cumprir com minhas próprias vontades egoístas e sádicas.

-O espelho... O espelho de sua mente também se quebrou?

Questiono-a, sem mais.

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Re: O Cordeiro Massacrado

Mensagem por Cassie Lola Danvers em Ter Set 03, 2013 9:37 pm


[ PERDAS E DANOS ]

Não raro, pergunto-me se verbalizei ou se apenas pensei em algo. E, não raro, deparo-me com pessoas ao meu redor respondendo meus pensamentos. Mas elas não são todas telepatas, apenas não são surdas.

Os olhos se fecharam para manter os outros quatro sentidos mais aguçados. Pensamentos soltos e breves passeavam livres na minha cabeça. Lembrei de coisas do meu passado mais distante com saudosismo. Mas se ele fosse bom, seria presente. Tal ideia afastou os arrependimentos de mim. Minha vida já estava fadada ao enfado, e eu deveria me conformar com isso.

Uma das minhas mãos percorreu meus cabelos, afastando as mechas soltas da face. A outra seguia segurando com força o copo quase vazio. Com mais força do que o necessário. O deslocamento de ar típico de alguém se movendo próximo do meu rosto fez com que meus olhos se abrissem de forma abrupta. Tudo me pareceu rápido. Talvez os devaneios momentâneos tenham feito eu me distrair por mais tempo do que imaginara. Nossos olhos, embora não se procurassem, se encontraram. E dos seus lábios saíram afirmações vagas, como deveriam ser, e uma pergunta baseada na minha própria.

Nos últimos meses estava falando mais comigo mesma do que com os outros. Nem sabia se conseguiria fazer aquilo: conversar com outro indivíduo que não estivesse dopado por, pelo menos, sete tipos diferentes de medicamentos e que não acreditasse ser um rei do século passado. As palavras fluíram serenas entre um gole e outro, como se, mais uma vez, estivesse falando comigo mesma.

- Eu? Em todas; as perdas são tantas! Perdi a sanidade, família, a noção de tempo - não necessariamente nessa ordem. Mas isso... Nem sei se conseguiria conviver pacificamente com elas depois de tanto tempo de ausência em minha vida. Vim perder o bom senso - o pouco que me resta. E tudo o que quero nesse momento é perder o caminho de casa.

No fim do discurso, meu copo já estava vazio de novo. Virei-o pela última vez a fim de extrair dele a última gota. Soltei um suspiro frustrado. Sorriso lânguido. Olhos no copo. Copo na mão. Força no copo. O barulho de vidro se partindo ecoou por todo o recinto. Minha mão estava repleta de cacos que começavam a conduzir o sangue. Sangue que pingava maculando o azul do meu traje.

Ao passo que tirava os cacos da mão com cautela e sem esboçar qualquer tipo de dor, ouvia o que o estranho ainda tinha a dizer. Diferente do que esperei, ele não correu. Por enquanto.

- Desculpe-me. Espelho? Como assim? - A mão parada na altura do peito ainda pingava sangue. Isso não me incomodava, já que o auto-flagelo sempre esteve presente na minha vida. O sangue escorrendo formava arabescos no meu braço. Bonitos de olhar.

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Re: O Cordeiro Massacrado

Mensagem por Neweys Dwant em Qui Set 05, 2013 3:49 am

Por que as pessoas se preocupam com suas "perdas"? Por que as pessoas temem o que lhes é desconhecido? Por que elas não se dão a chance de desvendar a própria existência e batalhar pelo seu verdadeiro eu? Por que essas pessoas mantêm seus olhos fechados constantemente e nem mesmo sentem vergonha disso? Não sei responder nenhuma dessas perguntas, porém isso não me impede de ter pensamentos a respeito... E quer saber? Eu não ligo pras respostas, eu só ligo pros fatos que eu já conheço: essas pessoas existem aos bocados, e se eu me misturar com elas também vou me cegar com o tempo.

Essa garota está com os olhos entreabertos. É triste ver uma pessoa incompleta, tanto quanto imaginar um mundo de cegos tolos. Mas também é triste ver um “sabe tudo” deduzir as coisas somente ouvindo meia dúzia de palavras que saem de lábios desconhecidos. Então minha língua se costura no céu da minha boca até segunda ordem. Afiada e venenosa, que ela fique presa sem ferir os sentimentos da pobre garotinha perdida em um mar de mentiras, afogando-se em grossas águas negras... “-Oh, Neweys! Por todos os deuses! Me deixe sair! Não aguento ouvir isso sem me intrometer pelo menos um pouquinho! Não me força a rasgar essa mente putrefata que você possui!”.

Mantenho-me atencioso as palavras dela. Nem sei seu nome e já quero tanto despedaça-la... Ah, sim, sim... Isso é o mais próximo de romântico que consigo chegar com tão pouco tempo de conversa. De certa forma ela me atrai. Não ela em si, mas as possibilidades que andam ao seu lado. O entendimento de si mesmo é a pior das etapas, depois tudo se torna límpido. Até mesmo o céu mais escuro pode ser tão belo quanto o céu mais azul e ensolarado. Tudo se baseia no ângulo ao qual se escolhe olhar. Não mais que isso. Mas os humanos perderam essa capacidade de entendimento... Tolos... Chegaram ao ponto de eu não conseguir mais me classificar como um deles dentro dos meus miolos...

Ela termina de falar. Que gracinha, seu rosto não esboça nada de certo, e tudo se distorce dentro de minha mente ainda mais. A carne não é mais viva que o vidro. E o vidro não é mais sólido que o sangue. E sangue se espalha novamente. Alguns pedaços de vidro caem em minha bota. Assim como algumas gotas do sangue dela... A pergunta que ela faz em seguida confirma que ela não consegue interpretar totalmente coisas muito conturbadas. Ou ao menos não está interessada em entender... “-Vamos lá! Eu quero falar um pouco com ela! Só um pouquinho antes de irmos!”. Não, dessa vez não. Serei eu mesmo quem irei falar... Só assista...

-Por onde começar... Esqueça o espelho. Algum dia talvez você me responda... – começo – Você... Realmente acha que perdeu alguma coisa de especial? Como você poderia perder sua sanidade, se ela não passa de uma mentira contada por tolos cegos e fracos pra que você não compreenda quem você realmente é? Família? Essa palavra só define as correntes que te prendem a realidade dessas mesmas pessoas de mentes frágeis que dependem de mentiras para continuar vivendo em um mundo fantasioso... Eu não perdi minha família, eu não perdi minha sanidade... Eu só conquistei minha liberdade. Conquistei o poder de pensar exatamente o que eu quero, fazer exatamente o que desejo, quando desejo, como desejo e onde desejo.

Olho o sangue sobre a mão dela. Eu falei de mais... Mas ao mesmo tempo em que me começo a me arrepender, um ar de esperança cresce dentro de mim. Pessoas como eu nunca possuem sorte o bastante para encontrar pessoas que querem falar exatamente o que queremos ouvir. “Louco”, “assassino”, “monstro”, “ignorante”, e o pior... “Espadachim maluco”. Aperto forte os punhos ao lembrar de cada vez que eu ouvi algo como “corram, um espadachim maluco atacou alguém!”. Eu sou um mestre da katana. Me chamar de forma tão abrupta é um ato de desonra!... Não que eu seja muito honroso, mas... Ah, sim! A garota.

-Lindo... Ele brota de sua carne sem arrancar uma única expressão de dor. – digo observando o sangue correndo para fora da carne da garota. Fecho meus olhos, aproximo meu nariz e respiro fundo buscando sentir o agradável cheiro morno de sangue.

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Re: O Cordeiro Massacrado

Mensagem por Cassie Lola Danvers em Ter Set 10, 2013 1:19 am


O sangue insistia em gotejar. A mão continuava sem movimento. A mesma que um dia foi queimada com ferro. A mesma que tirou a vida de uma pessoa.

Encarava o estranho de forma indelicada. Intrigada, não conseguia desviar meus olhos dos dele por muito tempo. Costumava fazer isso com as pessoas que convivia no... Na casa de repouso. Era indispensável naquele lugar saber interpretar a linguagem corporal de todos a minha volta. Questão de sobrevivência. Mas ele... Ele não me parecia mais nocivo para mim do que eu mesma. E tal fato já me deixava com a guarda baixa. Um possível risco que não estava ligando de correr. Pelo menos não naquele dia.

O estranho parecia pensar em algo para dizer. Não que lhe faltasse o que dizer, acho. Talvez medindo as palavras. Sentia, no meu âmago, que ele não entendia ou não concordava com nada que eu dizia. Ou talvez os dois. Infelizmente, nada me dava certeza daquilo. Tudo não passava de devaneios "dedutórios" .

Entre as palavras ditas e não ditas, tanto por mim, quanto por ele, lembranças iam e voltavam; todas opostas, sentimentos misturados e rostos variados piscavam diante de meus olhos me deixando confusa. Já não sabia se aquilo era efeito dos remédios, do álcool ou da anormalidade psíquica.

- Só respondo sobre aquilo que compreendo. Então, lamento pela ausência da resposta nessa conversa, e nas improváveis, mas não impossíveis, futuras conversas - parei de escorar a parede, e uma sutil reverência floresceu no meio frase. - Bem, e sanidade, o que entendo por sanidade talvez seja algo um pouco mais específico. Talvez por não saber mais quem sou de verdade seja um tipo específico de insanidade. É uma lástima não conseguir ser menos vaga que isso. Não importa. É um fato totalmente irrelevante.

Quando ele falou família, algo ficou inquieto dentro de mim. Estava sendo bem mais estranho do que imaginava falar de uma coisa que eu não tinha mais. - Na verdade, se eu analisar bem as informações que não tem... Minha família que me dispensou, ela que me perdeu, não o contrário. Agora, liberdade, no momento, o excesso dela é que está me fazendo mal. Não estou sabendo o que fazer com ela - olhos urgentes fitaram meus sapatos sujos de lama e, agora, sangue; uma medida desesperada de esconder o que revelavam. Levantei a cabeça para olhar o estranho, seus olhos se perdiam na minha mão maculada. Abaixei-a, escondendo-a atrás do corpo. Reflexo; na natureza, não é normal deixar um predador em potencial te ver ferido. Um longo segundo de silêncio fúnebre.

Um fato não podia negar: estava me sentindo melhor. Estranhamente bem. E eu devia estar grata por aquilo.

O impulso me levou a aproximar meus lábios do ouvido dele e sussurrar um "obrigado" tímido e um beijo receoso em sua bochecha. Meio de lado, meio sutil.  Uma atitude quase infantil e desnecessária por completo.

- Embora não concorde com tudo o que disse, admito que suas palavras me fizeram bem - um sorriso lânguido escapou. Sorrir para um estranho e tocá-lo. Tudo no mesmo dia; era coisa de mais para mim.

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Re: O Cordeiro Massacrado

Mensagem por James Sawyer Ford em Ter Set 10, 2013 12:46 pm

A fumaça morta dos cigarros permeava o ambiente. Lá fora a chuva desabava sobre a cidade e o vento varria as ruas, mas alí dentro a temperatura era sempre quente e o ar abafado. Aqui e alí as pessoas conversavam em voz baixa, tratando de seus negócios escusos. Traficantes, prostitutas, golpistas e canalhas de toda a espécie frequentavam aquele bar que sempre contribuía com o Departamento de Polícia para manter o longo braço da lei longe dalí.
 
Sair de casa às três da madrugada para ir a um lugar como aquele era o mesmo que pintar um letreiro de “Roube-me” na testa, mas não para James, ele já era um frequentador de certo tempo daquela casa, e sentia-se à vontade alí, onde já havia fechado mais do que um contrato lucrativo. Apesar de terem marcado o encontro por telefone, e de nunca ter visto o sujeito antes, não foi difícil de reconhece-lo, afinal, não são todos os dias que se avista um negro com mais de dois metros de altura e forte como um touro, trajando roupas tão finas num ambiente tão suspeito.
 
Com um gesto bastante elegante para um homem daquele porte o negro indica a cadeira à frente da sua para o americano, que senta-se sem cerimônias.
 
- Você escolhe bem os horários das suas reuniões. – ironiza Sawyer, tentando sacar qual era a do sujeito, mas tudo o que recebeu de volta foi um olhar impassível.
 
- Obrigado por ter vindo, Sr. Ford. Como conversamos anteriormente, eu represento uma pessoa que me encarregou de encontrar uma pessoa com o seu tipo de talentos para um serviço especial. E ela está disposta a pagar generosamente pelos seus serviços. – aquilo era apenas uma meia verdade. Sim, ele estava alí para contratar um golpista, mas não qualquer golpista, suas instruções deixavam claras que ele deveria contratar especificamente James Sawyer Ford, e nenhum outro.
 
- Certo... e qual é a jogada? – pergunta ele, enquanto pede uma bebida para o garçom que passava por alí
 
- Edward Shaw. O Sr. já ouviu falar dele?
 
O americano quase engasga com a bebida. Teria ele ouvido certo?
 
- Aquele que tem grana suficiente pra pagar até o meu sorriso? – pergunta ele, ainda incrédulo.
 
- Eu não tenho certeza de em quanto está avaliado o seu sorriso, Sr. Ford, mas acredito que ela poderia pagar por ele e por sua gargalhada também.
 
- Uau... vocês miram alto. – comenta ele, coçando a nuca e tomando outro gole direto da garrafa de cerveja.
 
- Isso é um problema?
 
James era um golpista, e como todo golpista ele era ganancioso, mas não era tolo, já que em seu ramo não se consegue uma carreira longa dando passos maiores que as pernas, e o cemitério já estava cheio de idiotas para provar isso.
 
- Isso depende... o que exatamente vocês querem que eu faça?
 
- Vamos dizer que meu empregador gostaria que o senhor nos ajudasse a fazer uma redistribuição de todo o patrimônio deste senhor para que lhe reste não mais que o suficiente para comprar um pouco de pão e água para o resto da vida.
 
- Saquei... querem tirá-lo dos negócios, quebra-lo, etc...
 
- Em termos mais vulgares, sim, é exatamente isto que temos em mente. – responde ele
 
- É... só tem um problema nisto. – observa o golpista, que continua a explicação diante do olhar de curiosidade do negro.
 
- Desviar uma graninha não é nada de mais, ela se perde no sistema. Mas desviar a quantidade que vocês querem não é o mesmo que fazer desaparecer um coelho... e isso vai ter um custo bastante alto.
 
O negro sorri, havia fisgado seu peixe, agora bastava dar o puxão final para tirá-lo da água.
 
- Esta é a parte fácil, Sr. Ford. – responde
 
Aquilo estava ficando cada vez mais perigoso. Sawyer sabia muito bem que ninguém ficava sabendo de uma conspiração tão grande assim e acabava bem. A primeira coisa que fariam depois do serviço completado seria uma queima de arquivo completa, ele nem chegaria a ter tempo de gastar seu pagamento. Negar o serviço também não era uma opção, a menos que ele quisesse terminar a noite com uma bala alojada na cabeça.
 
- Então quanto é que eu levo nisso?
 
- Todo o dinheiro que tirar do alvo.
 
Agora sim ele não só engasga, como cospe toda a bebida que estava em sua boca. O cemitério estava cheio de idiotas, mas por aquela bolada ele ficaria muito feliz em ter companhia...
 
- Eu nem sei o que fazer com tanta grana... – comenta ele
 
- Queime, rasgue, compre uma republicazinha qualquer... ouvi dizer que tem algumas ofertas ótimas na América Central. – responde o negro – Temos um acordo então?
 
- Claro... e como eu faço para contatá-los?
 
O negro desliza um aparelho celular pelo tampo da mesa, até a mão do americano.
 
- O número está na discagem rápida, é uma linha segura. Chame sempre pelo Sr. Black, que sou eu. – Sam tenta não rir com o trocadilho do nome... não era nada saudável zombar de um cara daquele tamanho.
 

Os dois despedem-se dalí. Na manhã seguinte o plano da derrocada de Edward Shaw seria posto em prática...

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Re: O Cordeiro Massacrado

Mensagem por Neweys Dwant em Ter Set 10, 2013 9:11 pm

Meus olhos se focam nas mãos da garota, a maior parte da minha atenção se dá ao que ela diz. Coisa rara, considerando a mim mesmo como um “odiador de tudo o que é humano”. Não que ela fosse o que eu chamo de completamente humana – e sim, isso é um elogio, de certa forma... Quando ela leva sua mão as costas tentando evitar que eu permaneça focado em sua ferida, um pequeno estalo dentro da minha cabeça me lembra de não tentar agarrá-la com meus dentes, como um gato que brinca com uma bola de lã mordendo-a e arranhando-a. As pessoas não costumam a gostar disso - menos um ponto pra humanidade.

Imóvel, permaneço olhando para a garota – agora para os seus olhos –, e observo que ela se aproxima de meu ouvido e me agradece. Nada que me seja relevante. Se eu falei com ela é por que me era de interesse, por isso não acho que ela me deva um “obrigado”. Mantenho-me em silêncio um pouco mais, e mesmo assim permito que um sorriso se abra em meu rosto. Talvez ela tenha algum potencial para se descobrir futuramente.

Os humanos dão atenção de mais pra coisas idiotas. Coisas inúteis e fúteis. Besteiras desnexas e deformes. Eles esquecem que o combustível mais compatível com a própria raça são os sentimentos e os desejos. Isso dá força aos humanos... E por isso os humanos estão tão... Fracos, decrépitos e deformes de mente hoje em dia.

Ouço então a ultima frase da garota antes de prosseguir...

-Você vê esse mundo em um ângulo diferente do meu. Isso é natural. Mas mesmo que não “concorde”, permita-me pedir que mude essa palavra para “entende”. Não há como concordar com o que meus olhos podem ver se você não puder ver também. Assim como eu já deixei de entender você... E as outras pessoas... Há anos. Pra mim, só existe uma verdade: a que eu acredito. Nisso eu me comparo a maior parte dos homens, não acha?

Meu sorriso ganha maiores proporções, quase um rosto malévolo... Quase o meu natural. Mantenho meus olhos nos dela por mais alguns instantes e repito o primeiro ato que a garota fez, aproximo meus lábios de seu ouvido e sussurro algumas palavras, porém essas são “não agradeça, pois eu não irei agradecer também”. E ao invés de um beijo, levo minha mão ao seu ombro e prossigo.

-O mundo é feito de decisões, caso e acaso. As pessoas só controlam parte das suas vidas, mas mesmo assim muitas jogam fora esse direito de serem donas de parte do seu destino. Você obteve algo de grande valor, isso está escrito tanto na sua testa quando no mais escuro céu de lua nova. E você devia sabe muito bem disso. – me viro para a saída, retirando minha mão do ombro dela enquanto procuro a chave do carro – Não sei o que você passou por sua vida, mas de baixo dessas roupas existem marcas das quais me orgulho. Se você tem liberdade de sobra... Dê pra mim. Eu a quero... Sangrei de mais para conseguir a que tenho... Então não despreze a que você tem a menos que possa doá-la...

Fecho os olhos por um instante e começo a refletir... “-Vamos logo, você é muito enrolado... Por que pensar tanto? Diga logo!”. Aquele que mora aos confins da minha mente volta a falar dentro da minha caixa craniana. Sem olhar para os lados, prossigo com minha despedida.

-Na próxima, se quiser, pode me chamar de News... Todo mundo que eu conheço me chama assim. A propósito, fico contente que eu tenha te alegrado. - sorrio de canta - A gente vai se ver de novo, eu quero isso... Até mais, mocinha.

Sem esperar, mas ainda atento, me retiro do Cordeiro com um sorriso no rosto. Não achei minha Vehementi, mas encontrei uma peça do “tabuleiro da loucura”, ou será que esse apelido é absurdo de mais? Independente disso, ela parece ter chances de quebrar as barreiras da mente. Se ela vai perder o controle ou não depois disso já é com ela, e só com ela... Entro no carro, o ligo e dou partida, rumando o esconderijo onde está Fred...

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Re: O Cordeiro Massacrado

Mensagem por Samantha Addams Schimidt em Dom Out 13, 2013 3:57 pm


Após longos anos de vida bem estabelecidos na Alemanha, fui obrigada a deixar o país por motivos incontestavelmente complicados, deixando para trás o que restou da minha família, meus amigos, meu namorado e Jack, o meu gato de estimação. Não, não me sinto nada satisfeita com tais mudanças repentinas. Tudo isso porque algumas pessoas queriam me manter fora da mira e então, decidiram me mandar para cá, a fim de que eu pudesse recomeçar a minha vida. Ou pelo menos tentar...

Mark fez com que eu vendesse minha moto Indian, a menina da minha vida, grande companheira em passeios e viagens maravilhosas. Aquela garota tinha muita história. Mas apesar de tudo, sua venda foi um mal necessário. Poderiam identificá-la facilmente e, se isso acontecesse, todo o nosso plano estaria arruinado. Além do mais, logo Mark estaria comigo em Vancouver, mas antes de largar tudo para trás e realizar a mudança, tinha de resolver vários assuntos pendentes junto dos outros membros do clube.

Por um lado, a vida que eu levava na Alemanha, poderia ser considerada uma merda por muitas pessoas, porém... O outro lado da história me fazia muito feliz, a final de contas, era a única realidade que eu verdadeiramente conhecia. Todos os integrantes e agregados do clube... Bem, eles eram parte da minha família. Nasci e cresci naquele meio um tanto assustador para um mero espectador que assiste a tudo de fora, porém, extremamente acolhedor para quem vive em tal meio e realmente faz parte de lá.

Riscos: Sempre corremos e sempre iremos correr. Isso desde o nascimento e consecutivamente, em muitas outras ocasiões da vida. Mas tudo o que me motivava estar no Canadá, era a promessa de um futuro tranquilo, traçado por Mark e eu.

_____________________________________________________________________________________________________

Acelerando a minha mais nova Heritage Softail Classic preta em meio às ruas de Vancouver, rumo à um tipo de taverna que me indicaram para passar alguns dias até que tudo entrasse nos eixos, pensava em como seria minha vida a partir dali.
O clima da cidade era bem frio. Nada com que eu não estivesse acostumada. 

A brisa gélida era detida antes de tocar meu corpo, por uma jaqueta, uma calça, um par de luvas e um coturno de salto plataforma. Tudo fabricado em couro. Sem deixar de lado o equipamento de segurança extremamente necessário para quem pilota: o capacete. Era todo preto de viseira insufilmada e, em cada lateral havia estampado em cinza metálico, a face lateral de uma caveira com a boca aberta. 

Não havia trazido muitas coisas comigo da Alemanha. Em minha bagagem, havia apenas o necessário para alguns dias, teria de repor todo o meu vestuário. Fazer compras. Arrrgh! Fazer comprar nunca fora meu forte. Paciência para isso - e para muitas outras coisas - era uma virtude ausente em minha personalidade. 

Após alguns minutos, quando avistei o Cordeiro Massacrado, acelerei um pouco mais em direção à ele para que pudesse chegar rapidamente.

Enquanto me aproximava do local, desacelerava tranquilamente. Eu podia não ter paciência com muitas coisas, mas com minha moto... Ela sim, merecia toda a minha atenção, cuidado e carinho. A estacionei em frente à taverna, porém, do outro lado da rua. A desliguei e retirei a chave do contato, enganchando seu chaveiro com um outro que estava no interior de um dos bolsos de minha jaqueta, o chaveiro em que eu carregava as chaves que destrancavam os baús laterais acoplados ao veículo. Pendurei os chaveiros na fivela da calça, próximos ao bolso frontal direito. Desci da moto, ergui a viseira do capacete para verificar se estava tudo certo e em seguida, o desabotoei e o retirei da cabeça, deixando cair sobre as costas, meus longos e lisos cabelos azuis. 

Encaixei o capacete entre as minhas pernas para desocupar o braço ter as duas mãos livres para desamarrar a grande mochila preta que estava na garupa. A minha bagagem onde se encontravam alguns de meus pertences. Após retirá-la de lá, a joguei sobre as minhas costas, peguei o capacete, o enganchei no braço esquerdo e, sem me preocupar muito em olhar de um lado para o outro para realizar a travessia, caminhava sem pressa em direção à porta de entrada do Cordeiro. 

Durante meu percurso, um carro freou rapidamente e logo em seguida, uma buzina soou alta. De certo o motorista estava irritado com a minha falta de preocupação.

- Olha por onde anda! - gritou o motorista do carro, demonstrando certa raiva e pressa.

- Passe por cima, otário! - retruquei com um sorriso de desdem, em alto e bom som. 

Ao chegar do outro lado da rua, empurrei a porta da taverna e adentrei o local. Havia muitas pessoas por ali... E pessoas de todos os tipos. E isso eu conseguia identificar muito bem.

- Bem vinda ao novo lar, Sam. - sussurrei para mim mesma, com uma expressão mal humorada, enquanto me dirigia até o balcão.

Avistei um rapaz segurando um pano todo sujo de algo vermelho. Ou ele estava limpando uma poça de Campari, ou alguém ali tinha se dado muito mal. Sorri de lado ao analisar a situação.
Olhei de um aldo para o outro, retirei a mochila das costas colocando-a sobre um banquinho que beirava o balcão, localizado bem a minha frente e com os olhos, varria o ambiente à procura de alguém que pudesse me atender.

- Alguém poderia me informar sobre o aluguel dos quartos? - enquanto esperava a resposta de algum funcionário, retirei minha jaqueta de couro, deixando a mostra minha camiseta preta da banda Black Label Society, caída nos ombros, que se se encontrava sobre uma cacharrel de lã da mesma cor.
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Re: O Cordeiro Massacrado

Mensagem por Grazir Mythrys em Qua Nov 06, 2013 12:24 am

Encaro o vidro trincando de gelado, com uma pequena camada de gelo se formando nas bordas, a fumaça do cigarro torna o interior do carro um ambiente insuportável pra qualquer não fumante. Já estou na metade do segundo maço. Lars tem razão, se eu continuar assim esse trabalho vai acabar comigo. Abro a porta deixando a fumaça sair por um tempo, o vento frio bate contra meu rosto sem eu mal senti-lo. Saio do carro batendo a porta e trancando em seguida. Encaro a placa típica de taverna do Cordeiro Massacrado. Finalmente um momento para relaxar, e com uma massagem interna do senhor álcool.
 
Adentro a taverna com o pé esquerdo. Meus olhos percorrem o local em desânimo, levo o cigarro a boca e dou mais uma rápida tragada. Continuo andando até o balcão, onde já próximo de um banco ouço uma garota de cabelo azul e cara de 'mau elemento'. Bom, pode ser coisa da minha cabeça, mas trabalhar na RCMP por tantos anos pode ter deixado algumas marcas no meu senso de julgamento. Prender alguns punks metidos a besta com aqueles moicanos bizarros pintados e roupa de couro justa gritando “me solta seu caipira de merda”... Hm, aqueles eram bons tempos. Principalmente quando eu os pegava usando drogas no “meu” Camping. Nessas ocasiões eu os fazia andar até a delegacia amarrados numa corda presa no meu companheiro de todos os tempos, meu cavalo, Halberd.
 
- Alguém poderia me informar sobre o aluguel dos quartos?

-Se esperar alguém te atender com essa cara vai dormir no balcão, moça. – falo antes de uma pausa para uma nova tragada – Mas o quarto é barato, isso é certeza. Só não espere muita qualidade. O “conforto” aqui vem dentro das garrafas. – mais uma breve pausa para outra tragada, agora acabando com o cigarro – E falando em garrafa, aí, colega... – chamo o barman – Meu uísque de sempre.
 
Jogo a bituca no cinzeiro mais próximo, respiro fundo enquanto espero a garrafa chegar com o copo. Decido abrir o sobretudo marrom para pegar o maço guardado no bolso interno... Se eu morrer em breve, vai ser de câncer. Ao abrir o sobretudo, deixo exposto o meu uniforme da polícia montada, não que isso tenha grande relevância, afinal por mais que eu seja um policial, eu estou no Cordeiro Massacrado, fumando, bebendo, e sem nem pensar em prender alguém, o que me torna um 'mau elemento' no fim das contas.
 
-Servida? – questiono apontando para o uísque – Pede um copo e bebe um pouco... Seu dia parece só não ter sido pior do que o meu...

Despejo o uísque até a metade do largo copo já especialmente reservado para minha pessoa ao lado da garrafa -ou pelo menos é o que o barman fala pra me agradar. Levo minha mão esquerda até o copo, o pego e em uma única golada tomo rapidamente o conteúdo. Cabisbaixo e pensativo, permaneço dando atenção a bebida, afinal depois dessa noite vou ter que fazer milagres para agradar minha maldita consciência.

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Re: O Cordeiro Massacrado

Mensagem por Samantha Addams Schimidt em Sab Nov 09, 2013 11:46 pm

- Se esperar alguém te atender com essa cara vai dormir no balcão, moça. - ouço um homem dizendo, logo após de se colocar próximo a mim. Até então, não havia me voltado em sua direção. O enxergava apenas até onde minha visão periférica alcançava, sentindo um cheiro forte de cigarro, como se ele já tivesse acabado com, pelo menos, uns três maços. - Mas o quarto é barato, isso é certeza. Só não espere muita qualidade. O "conforto" aqui, vem dentro das garrafas. E falando em garrafa, aí, colega... Meu uísque de sempre. - dirigiu-se ao barman. - Servida? Pede um copo e bebe um pouco... Seu dia parece só não ter sido pior que o meu...



Eu estava realmente precisando dormir. Já estava chegando ao ponto da leseira. Enquanto o homem falava comigo, apenas consegui captar a parte do "o quarto é barato, só não espere qualidade" e "servida?", então, virei-me lentamente a fim de observá-lo melhor.

- Pultz... Foi mal... - me desculpei, como se ele soubesse que eu não estava muito atenta ao que ele falava. - Acho que vou aceitar sim. - assenti positivamente enquanto tentava me lembrar o que é que ele tinha me oferecido. Ele segurava uma garrafa de uísque. Provavelmente seria aquilo. - Pode me trazer um copo? - me virei em direção ao barman, enquanto realizava o pedido.

Pelo que havia notado, o tiozão estava mais acabado do que qualquer outra coisa. Parecia bem cansado. Ao observá-lo melhor, encarei o uniforme que trajava sob seu sobretudo... "Policial...", pensei enquanto o analisava discretamente. 

Sorri comigo mesma, ao pensar que havia deixado a Alemanha para me manter afastada de problemas, e quando chego no Canadá, a primeira pessoa que demonstra o mínimo de hospitalidade, é um policial que... Lá não estava muito bem seguindo as devidas leis... Eu tinha escutado alguns boatos sobre o Cordeiro e... Que boatos! 


Se o senhor policial que estava ao meu lado, curtia dar uns rolês por ali e estava me oferecendo uma bebida, alguma intenção a mais ele possuía. Ou estava investigando alguma coisa, ou só queria comer alguém. O que absolutamente não aconteceria se esse alguém fosse a minha pessoa. Mas em todo caso, ele deveria ser um policia meio fora dos trilhos, afinal, o Cordeiro parecia ser uma de suas casas. Isso ficou bem claro quando pediu ao barman o seu "uísque de sempre".


- Olha... Eu não sou bem a rainha dos bons modos, mas, valeu pela bebida. - disse meio sem graça, indicando o copo com uísque que o barman tinha me servido. - Eu realmente ando precisando me afogar nela. - dei uma breve risadinha, ao notar meu sotaque alemão sempre presente em minhas falas. Soava de forma engraçada, até. Dei de ombros após deixar o pensamento de lado, e dei o primeiro gole. - Não me importo se o quarto não for de muita qualidade. Já dormi em lugares bem piores, a propósito... Me chamo Samantha. - dei outro gole em minha bebida e ergui o copo na altura do queixo como forma de cumprimento. - E preciso muito dormir. - pisquei meus olhos com força, antes de matar o resto da bebida de uma só vez, e colocar o copo de cabeça para baixo sobre o balcão.



Ele até que era um cara bonitão. Até lembrava o meu falecido pai... Fato que me deixou um pouco mais confortável em estar falando com um policial completamente desconhecido. Papai desaprovaria, com certeza. 

Não pude deixar de abrir um leve sorriso ao lembrar do coroa. Ele foi um ótimo pai, apesar de viver metido com um bando de porcarias. Me protegia com garras e dentes, e me ensinou a me proteger da mesma forma. Criou a mim e ao meu irmão mais velho com muito esforço e dedicação, fazendo os papéis de pai e "mãe", já que a minha tinha fugido com um motociclista Nômade de um clube inimigo. Bom... Foda-se ela. Com certeza não passava de mais uma vagabunda que depois da fuga, deve ter dado para dezenas deles em troca de sobrevivência. Otária...

É... A cada vez que eu parava para pensar nele, mais notava que meu velho me fazia uma puta falta.

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Re: O Cordeiro Massacrado

Mensagem por Grazir Mythrys em Seg Nov 11, 2013 6:26 pm

-Rainha dos bons modos? – digo com um sorriso no rosto antes de tomar mais um bom gole do conteúdo em meu copo – Não se preocupe, nem pensei nisso. Quem procura bons modos não entra no Cordeiro, garota. – respiro fundo antes de levar o cigarro novamente a boca e tragar o máximo que meus pulmões aguentaram, esse seria o ultimo, ao menos por hora.
 
Samantha... Sam... Hahaha, que coincidência ridícula. Há algumas horas atrás eu estava no meio da mata fechada procurando por um garotinho chamado Sam, e agora, encontra uma “Sam” na minha taverna preferida, que gosta de uísque, roupas estranhas, da cor preta e tenta ser delicada. Não posso deixar de rir um pouco disso, afinal é o momento mais oportuno do dia.
 
A Real Polícia Montada do Canadá se baseia na maior organização de força policial do país. Desde meus dezessete anos eu trabalho para eles. Comecei como tratador, acabei como investigador e azarão. Quase todo caso de desaparecimento cai sobre mim, principalmente os que acontecem no “meu” Camping. Amanhã, as oito da manhã, a polícia vai parar de procurar o tal garoto... E vai começar a procurar o cadáver dele.
 
-Que dia maldito. – comento, antes de observar o copo novamente vazio de Samantha – Não se contenha, garota. Seu quarto fica perto, e duvido que alguém vá invadi-lo com o Latrell por perto. – refiro-me ao negão 4x4 que volta e meia passa o pano sujo no chão imundo pra ver se ninguém repara no estado do bar. Não tão conhecido como Dheimos Dalton, porém nem de longe seria o menos conhecido da cidade.
 
-Meu nome é Grazir. Você é estrangeira, não é? – digo reparando no sotaque esquisito. Engraçado e estranho, não muito bonito, mas também não é incômodo. Provavelmente alemã, penso. – Se importa de eu puxar assunto perguntando o que te trás a Vancouver?
 
Sabe como é quando seu dia te força a querer se distrair de qualquer forma e a qualquer custo? Seja com álcool, ou ouvindo a história de algum desconhecido... Bom, esse está sendo o meu caso. Seguro a garrafa de uísque com a mão esquerda e a levo próximo ao copo, despejando seu conteúdo até quase transbordar. Em seguida volto a garrafa no balcão e dou um gole no uísque antes de virar meu rosto em direção a Samantha.
 
Enquanto aguardo a reação dela, aproveito também para apalpar meu bolso direito do sobretudo, confirmando que minha carteira estaria ali, se eu tentar beber fiado aqui de novo é capaz que alguém tente me castrar. Confirmando a localização da minha carteira, agora fecho meu sobretudo escondendo novamente o uniforme da RCMP. Não quero dar motivos pra algum engraçadinho vir tirar onda comigo por ser policial.
 
Concluído, volto minha atenção novamente para a bebida, e para a guria ao lado.

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Re: O Cordeiro Massacrado

Mensagem por Samantha Addams Schimidt em Ter Nov 12, 2013 1:59 pm


- Rainha dos bons modos? Não se preocupe, nem pensei nisso. Quem procura bons modos não entra no Cordeiro, garota. - diz o homem, com um sorriso no rosto, levando seu copo de uísque novamente à boca. Então, em seguida, tragou o cigarro o máximo que pode. Se ele continuasse fumando daquela forma, acabaria tendo um tilt, logo logo. 
Ele começou a rir de uma forma estranha. Rindo de que? Eu e minha cara de "ué?"... "É isso que dá, Samantha, tentar ser gentil com s pessoas. Definitivamente, você não nasceu par isso!", pensei enquanto franzia levemente a testa, deixando a mostra uma leve feição de emburrada.
- Que dia maldito. - disse o homem ao parar de rir. Qual era a dele? Será que era algum retardado mental? Sem preconceito, claro. Quem sou eu para ter algum tipo de preconceito? A não ser que seja com pessoas nariz empinado, metidas, egocêntricas, donas da verdade e soberbas. Essas todas, por mim, poderiam morrer. Seria até mesmo um favor ao mundo. O Greenpeace bem que poderia lançar uma campanha do naipe: "Mate um metido e plante três árvores", seria genial! Reflorestamento global em dois anos. Certeza.
O homem então, voltou sua atenção ao meu copo vazio sobre o balcão.

- Não se contenha, garota. Seu quarto fica perto, e duvido que alguém vá invadi-lo com o Latrell por perto. - indicou um homem alto... Alto... rs... ENORME, que passava incansavelmente um pano encardido sobre o chão. Estava começando a perceber que as pessoas por ali não eram normais. O que me fazia me sentir em casa. O motivo de me indicarem o Cordeiro não foi por um acaso. - Meu nome é Grazir. - retomou sua fala. "Grazir... Que nome estranho", pensei enquanto evidenciava um leve sorriso de canto. - Você é estrangeira, não é? Se importa de eu puxar assunto perguntando o que te trás a Vancouver? - o-k. Adeus sorriso de canto. Por que diabos ele teve que me fazer essa pergunta. Mal de policial. Todos iguais. Adoram meter o bedelho na vida alheia.

Grazir completa seu copo novamente, enchendo-o de uísque quase até a derramar. Apalpa alguma coisa sobre sua roupa e fecha seu sobretudo, a fim de cobrir o seu uniforme, se voltando a mim, esperando para que eu dissesse algo.
Bom... Como dizia aquela música do Matanza, uma banda de punk brasileira: "É impressionante como eu nunca faço nada. É sempre a confusão que vem até aqui", meti o 'foda-se' e, já que eu estava conversando com um policial meio deslocado mesmo, contaria parte da história numa boa. Eu estava bem calma, como de costume. Quero dizer! Como de costume naqueles tipos de situações. 

- Sou estrangeira, mesmo. Alemã. - sorri sem mostrar os dentes, erguendo e abaixando as sobrancelhas rapidamente. Aproveitei para encher o meu copo novamente, antes de voltar a falar. - Vim para Vancouver afim de viver a minha vida. - menti na cara dura, tentando manter a maior tranquilidade possível. - Muitos problemas familiares. - levei uma mecha de cabelo para trás da orelha e dei um grande gole na bebida. "Droga, Samy... Fique calma", disse mentalmente a mim mesma. Fazer aquilo com policiais alemães era bem mais fácil. Culpa do ambiente. Porcaria, como o Mark me fazia falta! Rapidamente, tratei de mudar o foco da minha pessoa, para a dele. - E você?... É costume de todos os policiais de Vancouver frequentarem lugares como o Cordeiro? - sorri de forma descontraída, para que ele não levasse a mal a minha pergunta.

Novamente, virei todo o conteúdo de meu copo, de uma só vez.


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Re: O Cordeiro Massacrado

Mensagem por Grazir Mythrys em Sab Nov 16, 2013 7:25 am

O líquido se distorce aos meus olhos, o corpo em minha mão começa a se contorcer. Meus dentes se cerram de raiva. Lembro-me de anos atrás na floresta. Áreas verdes sempre foram meu lar, o Cordeiro Massacrado é minha casa na cidade. Mas a mata sempre me chamou, as vezes por bem, as vezes por mal... Tenho a marca no peito até hoje, uma experiência de quase morte, três meses em coma e dois anos e meio de tratamentos intensivos. Meus braços estariam trêmulos se não pelo álcool.
 
Meus punhos se fecham fortemente, o que me ajuda a me acalmar, o suficiente pra não expressar facialmente minha raiva pelas lembranças desagradáveis. A garota também teve problemas com a família? O meu problema com a minha envolveu sangue, sangue e um ser chamado urso. Um monstruoso e feroz ataque de um animal com meia tonelada, dentes e garras afiadas e brutalidade ao limite. Por mais que parecesse algo ainda pior que um urso, o que poderia ser? Não existe outro animal que pudesse fazer algo daquele tipo...
 
-Nem todos os policiais de Vancouver frequentam o Cordeiro, em geral só os degenerados mesmo. – levo o copo até a boca novamente, tomando mais um gole do uísque. Noite difícil... – Vancouver é um bom lugar, se souber por onde andar. A noite nessa cidade pode ser terrível se não ficar com os olhos abertos. Mesmo assim, seja bem vinda e sinta-se em casa. – levo a minha mão até o bolso superior esquerda do sobretudo, abro o zíper dele e retiro um cartão.
 
Essa ideia de fazer um cartão do Lars finalmente teve alguma utilidade, eu acho. Ele disse que seria bom por eu ser responsabilizado por muitos casos de procura nas matas. Pra resumir, foram feitos especialmente pra eu entrega-los a mães e pais que perderam seus filhos na floresta, visse e versa. Nada agradável, e eu sempre me esqueço de entrega-lo pela tensão do momento, mas a sugestão foi bem válida. Observo o retângulo cinza claro com meu nome escrito em letras bem desenhadas em marrom, meu número impresso em baixo na mesma cor e o escudo da RCMP a direita.
 
-Fique com isso. – coloco o cartão em cima da mesa, próximo a Samantha – Você está cansada, e eu também. É melhor descansarmos. Vou pegar um quarto pra mim, pode tomar o uísque o quanto quiser, já vou ter que pagar pela garrafa de qualquer forma. – ergo a mão chamando o garçom – Uma chave, vou ficar por aqui hoje.
 
Enquanto o homem pega a dita chave, encho mais uma vez o meu copo e me ponho de pé junto a ele. Ao pegar a chave e confirmar qual quarto seria, volto-me para Samantha. – Se tiver com algum problema pode chamar. Boa noite, Samantha. Chegou a hora do meu descanso. – concluo já andando em direção ao quarto.

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Re: O Cordeiro Massacrado

Mensagem por Gaspar Motierre em Ter Dez 24, 2013 12:38 am

Depois de algumas bebidas e apreciar as belas mulheres do bar. Ele decidiu deixar o local já que o tal mafioso parecia nunca vir. Andando pelas as ruas, ele vê um crime acontecendo um ladrãozinho tentando roubar a bolsa de uma mulher. Por algum tempo apenas observou, o ladrão levou a mulher para o beco escuro, mas seus instintos não lhe permitiram ficar apenas na espreita. Sammael então caminha em direção ao beco e pode ver que o homem estava tentando tirar a roupa da mulher. Ele vai se aproximando cautelosamente abafando o barulho dos passos; pega uma barra de ferro que encontrara no contêiner de lixo e rapidamente parte para cima do homem batendo com força na cabeça do ladrãozinho.  
 
A mulher se levanta com o vestido todo sujo e o rosto manchado pela a maquiagem e o medo era vibrante em seus olhos castanhos. Sammael não fala nada apenas da as costas para ela segurando o corpo do rapaz pelas roupas e vai se afastando pela escuridão do beco arrastando o corpo do ladrão. Antes de se desfazer do corpo, ele vasculha os bolsos do ladrão encontrando celulares, relógios de marca e dinheiro, colocando em seus próprios bolsos. Por fim ele com uma certa dificuldade, ele carrega o corpo do ladrão o joga no grande contêiner de lixo e agindo como se nada tivesse acontecido, deixa o beco caminhando sem direção.
 
Em sua mente confusa com a sua reação, se perguntando o porquê não voltar até o beco e matar a mulher também. Ele se senta um pouco no ponto de ônibus e fica pensativo tentando entender  o que aconteceu...
 
Flash Back
 
Eu estava deitado perto de uma arvore morta, estava ficando tarde e os sinos da igreja começaram a trocar, nisso ouço as freiras chamando as crianças órfãs para que entrassem. Entre as crianças havia uma menina de cabelos longos e ruivos que todos os outros órfãos tinham medo dela, eles á chamavam de bruxa porque ela conversava sozinha, uma das freiras puxava a puxava pelo cabelo porque ela não obedecia.
Quando caia a noite o padre conversava com ela a sós, longas conversas. Eu espionava tudo atrás da porta e aquilo não era conversa... Quando ela foi adotada o padre ficou com muita raiva e corto a arvore que ela tanto adorava. Uma dessas noites ele quis conversar comigo. Ele me trancou no quarto dele, pensando que era o Gaspar. Assim quando ele tirou a roupa eu peguei a faca de cortar pão e cortei o pinto dele fazendo com que uma poça de sangue se formasse rapidamente no chão, e pude ver a morte nos olhos dele e sua vida indo embora.
 
Não entendia como ninguém sabia que ele fazia isso, ou talvez sabiam, mas eram hipócritas demais para ir contra o tão amado padre. Bando de tolos. Logo me limpei e fui correndo para o meu quarto junto com os outros meninos. O padre foi encontrado morto em seu carro no dia seguinte. No enterro dele a menina bruxa apareceu, ela me deu um beijo no rosto e me agradeceu.
 
Fim do Flash Back.
 
Sammael olha no outro lado da rua e vê outro bar, então ele se levanta pensando da menina de cabelos ruivos e na mulher que havia acabado de ajudar, se permite abrir um sorriso enquanto atravessa a rua entrando no bar.
Ao entrar ele da uma breve escaneada pelo local, alguns rostos conhecidos pelo crime. Continua caminhando em direção ao bar, se senta encarando o barman. – Cerveja. O cara entrega a cerveja e fica encarando o homem mascarado. Ao longe avista um conhecido, ele então decide juntar-se a ele caminhando até sua mesa onde puxa uma cadeira e se acomoda recebendo um cumprimento do rapaz. – E ae Mascarado, qual é a boa de hoje ?
- Alguns Relógios de marca e celulares. Sem nem mesmo hesitar o rapaz abre um sorriso retirando o dinheiro do bolso e pagando a mercadoria – Ai Tony, cada lugar que encontro você heim.

- Mascarando é aqui onde os ratos se encontram, em Vancouver. Disse o homem levantado a garrafa.

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Gaspar - Estamos sempre tentando conquistar adeptos para nossas explicações do universo. Achamos que a quantidade de pessoas que acredita na mesma coisa em que acreditamos é que irá transformar está coisa em realidade. E não é nada disso.

SammaelO homem fraco teme a morte, o desgraçado a chama; o valente a procura. Só o sensato a espera.


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Re: O Cordeiro Massacrado

Mensagem por Maximillian Santori. em Ter Jan 14, 2014 1:21 am


Assim que Max entra na loja, o cheiro de coisas velhas e mofadas invadem suas narinas. Estava muito escuro, a única luz que iluminava era a que passava pela pequena janela da porta que ia até uma parte do corredor. Ele caminha até chegar ao balcão onde estava exposto um vidro com um feto dentro e ao lado do mesmo um livro negro, grande e pesado contendo o símbolo de um olho sangrando estampado na capa.

Ele escuta um barulho como se alguém estivesse descendo a escada, ele abre a portinhola do balcão e vai andando em meio a escuridão. Assim que ele chega à sala de estar, ele sentiu que estava sendo vigiado por alguma coisa, mas apenas ignora, estava acostumado a ser vigiado. Ele respira fundo e depois solta o ar lentamente, cada passo em direção a escada, podia sentir algo pressionando sua garganta e seus pulmões. – Você não vai conseguir, eu sou mais forte que você, eu ainda estou vivo. Disse o Max olhando para o espelho que ficava no corredor.

Subindo as escadas, um zumbido forte irritava seus ouvidos, Max fecha os olhos apertando suas pálpebras por alguns segundos tentando se acostumar com o zumbido e então ele chega ao primeiro andar. – Motierre, você está ai?  Chamou ele elevando sua voz mas não obteve nenhuma resposta. Max ficou parado olhando para as portas dos quartos e pensou “O que aconteceu aqui, essa energia é muito negativa e consegue influenciar a matéria...o que ele andou fazendo aqui?

Curioso ele caminha ate o antigo quarto de Gaspar, ele adentrou no ambiente e encontrou um quarto muito bem organizado, rolou os olhos rapidamente indo em direção ao guarda-roupa, havia uma foto da filha de Motierre com sua mãe – Ah, Lilian, como você era bondosa comigo, eu ainda vou matar o demônio que fez isso com você. Ele não demonstrou nenhuma emoção, apenas franziu a testa e guardou a foto em seu bolso.

Deixou o quarto de Gaspar, caminhando pelo corredor podia sentir aquela energia aumentar ainda mais ao se aproximar do quarto de Gillian. A respiração dele começou a enfraquecer. Ao  abrir a porta do quarto ele viu uma sombra do tamanho de uma criança com olhos vermelhos vivos, aquela criatura não olhava apenas para  Max e sim para sua alma. Ele caiu no chão e começou a rir. - Você é forte mais não é muito esperto.

A criatura continuava  a olhar para ele e depois de um breve silêncio ela disse. – Eu sei quem o protege. Disse a criatura de um tom suave. – Você foi o meu escolhido e os meus filhos estarão com você. Sim, sua alma é forte do contrário estaria morto e mesmo assim a sua energia me drena.  A criatura sorriu e se aproximou acariciando o rosto dele. – Você é o meu primogênito drene de sua mãe.

Max começa rir insanamente enquanto isso uma energia vermelha invadia seu corpo, o tomando por completo e seus olhos mortais agora eram vermelhos como sangue.

Max acorda assustado em sua cama no quarto do Gaspar, olha para os lados e se sente seguro, tudo aquilo não passara de um sonho ou melhor, um pesadelo.  Mas em sua mente ele perguntava “será mesmo?” Ele respira fundo olhando para o teto, e ouve alguém bater na porta e logo ela se abre e aquele rosto familiar aparece atras da porta. – Max, você já acordou que ótimo, poderia entregar uma carta para um homem?

 - Me deixe tomar um banho e tomar café. Disse ele olhando de canto para o ancião e ele se retira.

Não demora muito e Max desce para encontrar Motierre.  – Então para quem é essa carta? O ancião responde.  - Para um homem chamando Grazir Mythrys, ele está a procura de  uma criança, e eu quero que ele a encontre. Max fica olhando para o ancião. – Você está fazendo aquilo de novo não é? O Ancião da uma risada. – Sim, a experiência me  proporcionou  novos amigos poderosos que querem experimentar o verdadeiro prazer.

Max apenas pegou a carta e olhou friamente para o ancião. – Isso matou a sua família, sua esposa e agora vão querer a sua filha, você não é um ocultista, é apenas mais uma peça para essas criaturas que você tanto tem fé

O Ancião apenas sorriu e voltou para o balcão. Max deixou a loja do ancião se dirigindo ao Cordeiro que ficava apenas alguns blocos dali. Chegando ao local, se encaminha direto ao bar mostrando a foto para o barman. – Você viu esse homem, me disseram que ele poderia esta aqui. O barman enxugando o corpo olhou para Max calmamente. – Aí depende, quem está perguntando? Max coloca uma nota de cinquenta dólares canadenses sobre o balcão. O homem olha para a nota e volta a olhar para Max. – Dobra?

Com um olhar frio Max encara o barman esperando pela informação. O homem vendo que não iria conseguir tirar nem mais um centavo de Max, acabou por dar a informação pegando o dinheiro do balcão. - Ele ta no quarto número sete. Max fazendo pouco caso deu as costas e foi em direção aos quartos, subindo as escadas, parou em frente ao quarto indicado e bateu na porta.  




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Re: O Cordeiro Massacrado

Mensagem por Jack Latrell em Sex Jan 17, 2014 2:01 pm

Infelizmente nada nesse universo é completamente de nosso poder. Se assim fosse poderia conseguir não deixar o meu tutor se ferir, também conseguiria deixar todos protegidos de quaisquer ameaças, poderia sempre acertar o tiro, sempre acertar quem é ou não confiável. Mas o ser humano é passível de falha e isso acaba fazendo com que a vida seja interessante o bastante para ser altamente perigosa e viciante.


Depois do episódio com o velho Dheimos, minha responsabilidade aumentou bastante, ele ficará em observação durante um bom tempo, ao que parece o corpo ainda tem bastante veneno e isso acaba dificultando certas funções de seu corpo. Isso acarreta no Cordeiro em meu nome, e na investigação partir de mim.


Pela conversa dos Arcanos o que foi encontrado é apenas metade do que precisamos. A outra metade ainda não foi encontrada e nem se sabe onde pode ser achado. Há relatos de outros artefatos da mesma arte onde não há encaixe aparentemente. São peças que parecem ser distintas, e o que foi achado de fato necessita de algo a mais para poder funcionar. Pelo menos isso é o que os estudiosos disseram. Precisarei de algumas pessoas envolvidas nisso e uma busca aprimorada para que possa conseguir achar seja lá o que for.






O fato é que o tempo está passando e não há nada que possa fazer para mudar isso. Guardado em lugar seguro e com vigias durante o dia todo, Dalton está bem amparado. Sabendo disso retorno até o Cordeiro Massacrado.
Abro a porta da caminhonete, garanto os armamentos ali dentro e o suprimento na parte de trás. É hora de partir.


No som do meu carro uma rádio de rock das antigas onde está tendo uma hora de Queen. O que na verdade nem estava prestando atenção. Alguns litros de uísque, alguns cartuchos de calibre 12, mais munições diversas, bebidas diversas, comida, medicamentos... Do mais nada que fosse realmente interessante. Durante o caminho uma ligação.


– Fala.


– Tem algo que acho que você vai gostar de saber Latrell. O artefato que o Dheimos achou é de uma lenda antiga. Acho que você deve ir até a biblioteca e começar a procurar sobre Antiguidades, 400 AC.


–  Nada mais específico? Você acha que tenho tempo pra essa loucura toda?


– É melhor que tenha. Ao contrário do que seria interessante para nós todos, há muito mais gente sabendo disso e obviamente logo começarão a procura. Eu aconselho achar logo o que fazer com isso, e conseguir rápido o que falta para ativar. Seja lá o que isso faça é algo que os malditos estão loucos para conseguir.

- Latrell... Cuidado com as pessoas que você fala. Eles estão usando meios diferentes de persuadir as pessoas agora. Qualquer coisa é ponto deles. Poder, dinheiro, sexo, drogas. Eles tem acesso a qualquer tipo de coisa, nós somente apelamos para a consciência. Coisa que ultimamente não está muito agradável para ninguém. Até mais. Passo no Cordeiro dentro de uma semana.



– Você está me dando a porra de um prazo??? HEY! HEYYY! Filha da puta... desligou.


Chegando ao bar minha mente fervilha de ideias e projeções. É questão de tempo até acontecer algo mais crítico, mas o que?


– HEY! Descarrega isso aqui, coloque tudo no armazém. Você sabe como agir. Como está lá dentro? ... Certo. Deixa comigo.


Apareço por trás do balcão. Observo cada coisa ao meu redor e vejo um sujeito estranho na porta do quarto número sete.


– HEY! SEM VISITAS! DESCE OU VAO TER DOZE FUROS NA SUA BUNDA.

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