Minas

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Minas

Mensagem por Mestre do Jogo em Dom Set 16, 2012 3:34 pm


Após a fase da mineração extensiva, quando a cobiça dos homens do Canadá retirou do solo tudo que poderia ser aproveitado, ficaram as construções esquecidas e os mineradores desempregados. Em Vancouver, em sua região mais ao sul, fica uma região rochosa e estéril, cercada por uma muralha de altas árvores, últimas remanescentes de uma outrora ampla área verde.

Passando-se essa muralha vegetal, vê-se um grande paredão rochoso, com buracos gigantescos em sua extensão. Mas há algo de anti-natural nessas fendas na pedra... não são buracos comuns, vê-se claramente a interferência do homem naquela outrora – não há outro adjetivo – imponente paisagem.

Por que isso é verdade. A Parede, como é chamada pelos homens da mineração, é algo que desafia o ateísmo de qualquer um. Aquela lâmina de pedra, que sai do solo e ergue-se como se quisesse alcançar os céus, não pode ser apenas uma mera obra do desgaste natural do vento e da chuva. São intrincadas fendas que se juntam formando desenhos de beleza ímpar; elevações que formam animais aos olhos das crianças (e das pessoas mais criativas também).

É uma paisagem muito bonita. Até o dia em que alguém descobriu que no seio da rocha havia riqueza. Foi uma corrida para lá, e dia após dia, noite após noite, os homens escavaram a rocha e destruíram aquela obra-prima da natureza. A floresta abundante em volta foi derrubada e deu lugar à barracões simples, alguns comércios e prostíbulos. Corpos de água foram desviados para serem subjugados pelos homens da mineração. Os animais selvagens fugiram de lá, com medo de serem caçados.

A Parede perdeu sua graciosidade e sua majestade entre os outros milagres da natureza de Vancouver. Entre meados de 1800 até a terceira década de 1900, foi extraído de lá o equivalente a dois PIB’s de economias latino-americanas da época. O dinheiro, é claro, os mineradores não viram. Foram sonhando com riquezas, mas o grosso da produção ficou com as grandes corporações. Dos homens, ficaram só corpos esquálidos e pobres, parecendo animais. Um a um, todos foram embora, deixando uma paisagem estéril.

Hoje, ninguém mais se aventura por aquelas bandas. Vez ou outra, há relatos de crimes que acontecem nos interiores abandonados das minas, estupros e assassinatos políticos. Embora as autoridades de Vancouver mantenham as portas das minas fechadas com cadeados e madeiras, a coisa mais fácil é arrombar.

Alguns relatam que pessoas estranhas visitam A Parede, seres que não são deste mundo. Pé-grande? Seres piores, criaturas da noite. Quem fala isso é louco, claro. O único ser estranho que ainda está nas minas é o velho Pete, senhor de mais de 90 anos, filho de mineradores, completamente ensandecido (dizem que ingeriu mercúrio na infância e nunca se recuperou), que atira com sua velha espingarda em qualquer um que se aproxime da sua cabana.

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Re: Minas

Mensagem por Jack Latrell em Ter Set 10, 2013 4:06 pm

Quem diria que o grande seria derrubado. Ou mais, quem diria que o grande cairia no seu próprio terreno. Ele estava sujo, mal vestido, trajando sua mochila e o chapéu de sempre. Mas o guerreiro perde seus aparatos assim que pousa no chão. O chapéu sai de sua cabeça e é capturado rapidamente. Seu corpo é carregado como um boneco nos ombros que abrem espaço sem pestanejar. Dando ordens para todos os lados quero ver o ambiente limpo para que consiga ao menos salvar a vida do velho mestre.


Abro a porta dos fundos e coloco o velho na cama. Abro a blusa para procurar o ferimento que tombou a velha raposa. O sangue quente molha minhas mãos, o colchão, o balcão, o chão. A outra mão joga o chapéu sobre a cama:
 
– Mantenha-se vivo, velho babão.
 
A cama já era praticamente uma maca a esta hora. Saio de perto do velho durante poucos segundos, precisava de alguém para ajudar ao menos a pegar o que fosse necessário.


– Aí! Charlie! Vem aqui. Rápido.
 
– Latrell, estou limpando a bagunça, tem gente aqui ainda.
 
– Escolhe um pra ficar de guarda, é rápido.
 
Ouço os passos e algumas reclamações, xingamentos e socos na parede.
 
– Água, linha, agulha, faca, algodão, muito algodão, pano, iodo... Uma mordaça. Um sanduíche de presunto. E um terço.
 
Quanto menos Charlie perguntasse, melhor. Era algo complexo trabalhar ali, era algo complexo tratar de alguém que eu via como meu pai. Como um familiar. E da mesma forma que ele havia me ensinado o que sei, eu iria mostrar a ele o que eu aprendi durante o longo tempo fora de Vancouver.


Limpei o corpo do velho usando um pano para tentar achar o ferimento. O pano era molhado uma vez, e de novo, e de novo, limpando o corpo sujo e com sangue. O ventre exposto agora molhado mostraria onde seria o ferimento que Dheimos tinha em seu corpo. Ferimentos como arranhões, cortes superficiais, hematomas, cada um deles é limpo com iodo e algodão. Os mais profundos sofrem pontos depois de serem devidamente limpos. 


Como o sanduíche de presunto com carne, que por sinal era Friboi. Amarro o terço nas mãos.


As costas tem pontos parecidos com as marcas deixadas por tiros. Porém tiros acabariam abalando por demais o velho a ponto de não conseguir chegar aqui. Deveriam ser outra coisa. Com a faca faço um corte para tentar ver o que havia ali dentro. Nada, apenas pequenos pontos como dardos. Talvez veneno... Talvez curare. As pernas também estavam com problemas.




– Se você reclamar disso, dane-se.


A primeira injeção com soro antiofídico é dada no local da ferida, apesar de não ter o suficiente, dou dois vidros.
 
Tiro a calça que Dalton trajava. Suas pernas também estão com problemas. Há feridas diversas. Marcas de picadas. Cobras, certamente. Limpo com cuidado, ele se mexe, dói. Não teria como fazer tudo por ali, minha única chance de manter o velho babão vivo, era mandar o velho para casa. As minas possuem os mais diversos tipos de antídoto, o que tivesse seria dado. Precisaria também de sangue e fluidoterapia. Isso era mais fácil fazer no QG, que em um bar como o Cordeiro.


Coloco novamente as roupas no velho, era hora de viajar.  Levo o homem com a calça e a camisa novamente colocada, cuidadosamente jogado no banco do passageiro agora vamos para onde interessa...


---------


MINAS
______


Paro longe da entrada aproximadamente uns 300 metros. Saio com o homem nas costas correndo como posso. Arranhado por alguns galhos, paro na frente da entrada da mina.


– Maca, rápido.
 


Em pouco tempo chegam dois outros que ali trabalhavam. Colocando Dheimos na maca, o serviço estava pronto. Sigo o velho, era hora de saber o que estava acontecendo... Tempo, a única segurança.

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Santino Post nº 7

Mensagem por Santino Soprano em Dom Abr 27, 2014 4:47 pm

Quando o carro se projetou para a frente, os pneus projetaram poeira e pedrinha do chão na cara dos policiais. Lu dobrou na Avenida North Vancouver, após entrou no beco ao lado da Blue Moon, pegou a rua dos trabalhadores, que é paralela a Avenida Canadá e lá pisou com tudo no pedal do acelerador. Por vários quarteirões, foi seguindo em paralelo  aos trilhos de trem que passavam atrás das fábricas. A longe via-se o farol  de um carro a segui-lo possivelmente a polícia. "Esse Filhos da Puta a essa atura já devem está montando barreiras nas estradas ou algo assim.", penso.

Atravessamos a linha do trem e percorremos mais um quilometro e meio margeando a estrada principal até chegar a umas construções abandonadas perto das minas, entramos pelo fundo de um prédio, que a muito a parede havia desabado. Acreditava que havíamos despistados os policiais, resolvi que iríamos dar um tempo ali. Mas foi só sairmos do carro, para ouvir o barulho da aproximação de uma viatura.

Peguei as chaves e troquei de lugar com o Lu, o carro da policia surgiu por detrás de uma parede marrom na outra ponta do descampado, atrás de uma velha  fundição. O mato tinha a cor de um leito de rio e uns dois metros de altura. Guiei o carro para longe dali, que tentou sair de traseira quando cheguei próximo as minas, provavelmente por causa daquele chão de cascalho.

Uma série de tiros atingiu a janela traseira do meu carro, até que finalmente a janela espatifou e uma bala passou raspando o console.

A estrada estava horrível, numa manobra arriscada, a viatura acabou saindo da pista, levantou voo e descendo a ribanceira, parei o carro, meti a ré, aproximei-me e fui ver o estrago. Eles tinham caído de lado em um descampado a uns vinte metros de distância, o motor estava ligado e as rodas ainda se moviam.

Por um longo minuto pensei, que a viatura iria virar uma bola de fogo, mas o motor desligou, e os policiais saíram tontos e feridos, mas ainda vivos.

Escuto ao longe um barulho de sirene, abro um sorriso e parto com o carro cantando pneu, "Eu acredito que agora os policiais vão entender o "recado" para ao invés de perderem tempo me seguindo, deverão ficar na frente da televisão, assistindo ao jogo do Vancouver Canucks na NHL".

Ligo a televisão do carro e começa a passar um filme:


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