[Casa] Mark O'Grady

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[Casa] Mark O'Grady

Mensagem por Mark O'Grady em Sab Ago 31, 2013 6:58 pm

Mark mora numa casa espaçosa, embora mais simples do que a média, da rua Floralynn Crescent. Essa área de North Vancouver tem ruas sinuosas, pouco movimentadas e muito verde, já que todas as casas possuem gramados na área frontal. Como a criminalidade é muito baixa, não há muros separando as casas, algo que muito agradou Mark quando visitou a casa pela primeira vez, junto com o vendedor da imobiliária. Ele avaliou que o lugar é perfeito para uma corrida matinal e para ler um romance sob o sol de verão que bate no gramado da frente da casa.

A decoração interior reflete a personalidade sóbria e reservada de Mark, pois as paredes são todas brancas e lisas, com bem poucos quadros pendurados. O destaque fica por conta de uma pintura logo acima da lareira e cuja autoria é de sua amiga Helen Ortwin Sinclair - uma mulher rica, inteligente e que ocupa a maior parte do seu tempo livre estudando ocultismo.

Os móveis da casa são de madeiras de tonalidades escuras, e tanto as cortinas quanto os tapetes são de cores suaves e com poucos desenhos. Como seria de esperar, as estantes com livros estão presentes por todos os lados e em todos os cômodos, exceto a cozinha e os dois banheiros. Além disso, a casa tem três dormitórios, mas um deles foi transformado em biblioteca. Os livros que Mark usa com mais frequência, porém, ficam no pequeno escritório situado nos fundos da casa.

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Mark O'Grady
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Re: [Casa] Mark O'Grady

Mensagem por Mark O'Grady em Seg Mar 10, 2014 7:54 pm

Um vampiro ancião está longe de ser o tipo de criatura que dá importância às necessidades dos outros. Mark se ofereceu a responder a todas as perguntas que Lucian quisesse fazer, mas também pediu, de forma bastante respeitosa e sem demonstrar ansiedade demais, que lhe fosse mostrado o caminho para saciar sua "fome". Lucian ignorou o pedido, mesmo sabendo que o professor tinha agora pouco mais da metade do sangue que há pouco tivera em seu corpo, e disparou a interrogar. 

Mark sentou-se num banquinho e fez o máximo de esforço para responder a tudo sem demonstrar impaciência. E teve de se esforçar muito mesmo, já que o interrogatório durou mais de uma hora inteira! Agora, Lucian e Julliet sabiam a extensão das pesquisas dele sobre ocultismo, as quais nada tinham de excepcional. Sabiam também que, segundo ele afirmava, havia sido amaldiçoado numa vida passada a reencarnar vezes seguidas, até ser vítima do mesmo mal que, por razões e métodos vis, havia protegido. E esse mal, conforme ele deduzia agora, era a maldição do vampirismo.

O professor não sabia dizer se ou até que ponto haviam acreditado nele, mas sentiu um alívio sem tamanho quando Lucian mostrou-se satisfeito e encarregou Julliet de dar as primeiras instruções que Mark precisava receber para sua nova "vida". Quando Lucian saiu, não sem antes fazer mais um gracejo sobre a beleza de Julliet, um silêncio pesado se arrastou por quase um minuto. 

- Bem, então agora a srta. é a professora, e eu o aluno...

Ele sorriu ligeiramente, mas não havia nada além de amargura em sua voz quando as palavras saíram da boca. Ambos acharam que andar faria bem a ele, então Julliet contou o que era preciso durante uma longa caminhada que fizeram a esmo pelas ruas da cidade. Embora a ânsia de se alimentar crescesse nele, achou melhor adiar a solução desse problema para a noite seguinte.

Chegando em casa, Mark executou o plano que traçou durante a conversa com Julliet. Trancou-se no quarto e deixou um bilhete na porta alertando à empregada que estava com uma doença contagiosa, que não sairia de lá o dia todo e que não deveria ser incomodado em hipótese alguma. Deixou o fone fora do gancho, desligou o celular e mandou e-mails para a faculdade cancelando seus compromissos durante o dia. Por fim, fechou bem a veneziana e as cortinas, cobriu-se dos pés à cabeça com edredons e, quando os primeiros raios do sol azularam o horizonte, ele morreu de repente.

Sim, pois o torpor em que mergulhou foi tal que aquele corpo sem sinais vitais era de fato um cadáver que só voltaria a ser animado após o pôr-do-sol ou, possivelmente, caso seu quarto fosse invadido antes disso. E, como mortos não sonham, Mark percebeu ao ressuscitar que nunca mais seria incomodado pelos pesadelos que o afligiam desde os treze anos. Ainda assim, ele preferia continuar a ter aqueles pesadelos e as dúvidas que estes traziam a enfrentar o fato de que havia se tornado um predador de sucesso improvável, já que não dispunha de força física e nem de instintos violentos. "Se bem que Julliet também não se parece em nada com uma predadora e, mesmo assim...", pensou.

Encontrou-se com ela na universidade. Ele deveria ir ao seu gabinete fazer uma breve orientação de alunos do noturno e, só depois, sair para a caça. Contudo, acabou faltando ao compromisso, pois a ânsia de se alimentar estava forte demais para que qualquer concentração fosse possível. 

A primeira noite de caça é impossível esquecer. Era esse o caso de Mark, embora as lembranças daquela noite guardadas em sua memória só fossem nítidas quanto às sensações e emoções, visto que as palavras e imagens de tudo que não fossem o branco dos olhos das vítimas assustadas, bem como a doce Julliet mordendo um pescoço, tenham ficado obscurecidas e fragmentadas. 

A princípio, ele pretendia escolher algum criminoso, a fim de aplacar um pouco a consciência. A sua ânsia os fez atacar logo um casal de estudantes que, um tanto alcoolizados e chapados, haviam invadido o bosque usado pelos alunos do Departamento de Biologia em algumas aulas práticas.

Por sorte, ninguém morreu, nem nenhuma autoridade foi atraída pelos gritos, uma vez que Mark estragou o elemento surpresa. Julliet apanhou o rapaz rapidamente, já que este tentou fugir ainda com as calças abaixadas. Mark perseguiu a moça por entre as árvores, e acabou rolando com ela pelo chão por alguns metros, até se verem no meio de uma poça de lama. Antes de cravar-lhe os dentes, ainda conseguiu gritar um pedido de desculpas. Por que o ridículo e o trágico têm de andar sempre juntos?

Contando que o trauma do ataque apagaria o acontecido da lembrança das vítimas - um efeito colateral do beijo dos vampiros que quase sempre ocorre, e explica o sucesso da Máscara - os dois correram para bem longe dali quando tudo acabou. Enquanto disparava por entre as árvores, sob a fraca luminosidade da lua crescente, Mark ainda sentia uma mistura horrível de culpa com o imenso prazer físico que teve ao beber sangue fresco e bombeado diretamente das veias daquela jovem. Essas sensações eram as que se fincariam mais fortemente em sua memória. 

Ele não quis passar o resto da noite em companhia de Julliet. Vagou pela cidade dirigindo a esmo, com roupas sociais sujas de sangue e lama seca. Sempre gostou de dirigir. Estava calmo agora, mas profundamente triste e abalado por uma sensação de irrealidade, de inusitado. Não conseguia parar de pensar, mas seu pensamento rodava sempre e sempre em torno das mesmas ideias e lembranças. Quando o amanhecer começava a se aproximar, rumou para casa. Ligou o rádio para distrair-se, e um verso da canção Brendan’s Death Song conseguiu lhe despertar a atenção.

The nights are long
But the years are short
When you’re alive

"Não só quando estamos vivos", pensou ao estacionar.

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