Sociedade de Leopoldo

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Sociedade de Leopoldo

Mensagem por Mestre do Jogo em Qua Jun 27, 2012 11:52 pm

A SOCIEDADE DE LEOPOLDO



Os historiadores pensam na Inquisição como aquela face assustadora que a Igreja Católica expôs ao mundo de 1231 a 1834. Porém, os vampiros que têm ao menos um mínimo de senso de autopreservação sabem muito bem que a Inquisição não terminou no século XIX, e que ela continua até as noites de hoje e mais temível do que nunca. Aliás, poucos mortais inspiram tanto terror entre os vampiros inteligentes quanto os modernos Inquisidores. O grosso da população, os historiadores em geral e mesmo alguns dos funcionários mais importantes da Igreja — incluindo o Papa — não têm o menor conhecimento sobre as atividades atuais da Inquisição, devido ao grande sigilo que envolve a organização. A Sociedade de Leopoldo, como é chamada hoje em dia, é composta sobretudo, mas não mais exclusivamente, por católicos.

A agremiação ecumênica da Inquisição devota-se à erradicação de vampiros e outras entidades sobrenaturais, um compromisso que a Sociedade desempenhou intensamente durante 17 anos sob a orientação do Monsenhor Amelio Carpaccio. Quando o monsenhor sofreu um derrame fulminante há um ano, porém, a Sociedade teve que enfrentar uma crise interna que vinha se avultando durante a última década. Durante aquele período, a existência ateística própria do século XX levou todos, menos os mais fervorosos Inquisidores a concluírem que o Apocalipse não era iminente — ao menos, não para o final do segundo milênio e, talvez, nem mesmo após o milésimo segundo milênio. Apesar disso, todos os membros da Sociedade conservaram a certeza de que as forças terrenas do Adversário dariam enorme importância a esse momento crítico do calendário e certamente deflagrariam algum sacrilégio devastador de proporções mundiais. E, embora alguns Leopoldinos temessem que o Salvador talvez jamais regressasse (embora isso nunca tenha sido dito), todos eles reconheciam a ameaça real e presente que as criaturas das trevas representavam para a humanidade.

Pior ainda, a população pela qual os Inquisidores arriscavam a própria vida para proteger parecia pronta para aceitar, e até mesmo acolher, esses seres malignos. A moral entre a Sociedade também sofreu, em consequência da crescente controvérsia em torno da tortura, a qual o próprio Carpaccio baniu oficialmente, taxando-a de uma ferramenta inquisitorial inaceitável. É óbvio que a tortura clandestina e extra-oficial era a regra para alguns membros da Sociedade, que consideravam impossível vencer essa guerra por outros meios.

Todo esse medo e insegurança combinaram-se para abrir caminho para um líder que era muito seguro de si e de suas técnicas (especialmente todas as 212 que compunham aquele método agonizante que ele tratou de desbanir em seu primeiro ato como Inquisidor Geral): o britânico Malthus Myrddin, conhecido como O Flagelo dos Amaldiçoados. Os vampiros nunca haviam se dado conta de como suas não-vidas eram relativamente sossegadas durante o mandato de Carpaccio. Alertados, direta ou indiretamente, nos anos do velho e venerável caçador de bruxas, pela destruição de muitos Cainitas e carniçais, a atitude prevalecente entre os Membros em relação à Inquisição era de vigilância geral. Ainda assim, sempre havia uns quantos vampiros atrevidos (ou estúpidos) o suficiente para antagonizar a Sociedade abertamente, além de uns poucos corajosos e espertos o suficiente para transformá-la em seu próprio peão na Jyhad. Agora, os anciões compartilham boatos sobre Inquisidores viracasacas que traíram seus mestres Cainitas, um Ventrue de alto escalão e seu rival Lasombra.

Supostamente, os dois Membros ainda definham em um calabouço desconhecido, onde sofrem torturas nas mãos dos caçadores de bruxas. Os neófitos cochicham histórias sobre círculos desbaratados por Leopoldinos espadachins, donos de uma ferocidade e habilidades jamais vistas. Mais preocupantes ainda para os Filhos de Caim são os relatórios recentes de ataques com napalm perpetrados contra refúgios antigos, alguns dos quais verdadeiros covis que permaneceram intocados por décadas. Myrddin, naturalmente era a força por trás dessas atividades. Contudo, somente um punhado de Membros anciões dispunha de informações suficientes para fazer esta conexão, já que uma exaustiva expurgação de elementos desleais das fileiras da Inquisição coincidiu com a subida do novo Inquisidor Geral ao poder. Os Censores da Sociedade mapearam praticamente todos os membros que estavam espionando ativamente para a Família, uma percentagem relativamente alta de indivíduos simpáticos à situação angustiante dos Amaldiçoados, e uns quantos Leopoldinos totalmente inocentes que aprenderam o verdadeiro significado de sofrer pela causa.

Somente um punhado de espiões sobreviveu a essa Inquisição entre os Inquisidores e agora vivem com medo de seus camaradas e de serem descobertos. Em sua maioria, os mestres Cainitas desses espiões, temendo as armadilhas que possam conduzi-los às masmorras da Sociedade, abandonaram seus servidores secretos. Uma nova energia vigora entre a maioria dos Inquisidores, porém um mal-estar muito conhecido também continua a existir — sob uma aparência ligeiramente diferente. Ao mesmo tempo em que Myrddin toma providências para que seus braseiros estejam sempre acesos, que as rodas de tortura estejam lubrificadas e que haja bastante chumbo derretido à mão nos calabouços da Inquisição distribuídos pelos cinco continentes (a Ásia continua a desafiar a organização), o uso da tortura voltou novamente a ser um assunto espinhoso. Onde antes havia uma maioria que expressava o seu desejo de ver esses métodos reinstaurados, agora existe uma minoria atormentada com essas práticas. O verdadeiro problema nesse caso, é que esses escrúpulos morais estão dilapidando uma das armas mais poderosas da Inquisição contra os vampiros: a Fé Verdadeira. Esta qualidade, inerente a certos indivíduos, é capaz de repelir um vampiro, sem a necessidade de se recorrer a cruzes, água benta ou qualquer outro símbolo sagrado — na verdade, nas mãos de descrentes, esses objetos são completamente inúteis contra os Membros.

Monsenhor Carpaccio tinha uma profunda compreensão sobre os efeitos que endurecem a alma e sufocam a fé daqueles que fazem uso da tortura contra qualquer criatura, ainda que se trate de um morto-vivo. Ele encarava a destruição rápida dos vampiros não como uni assassinato (Sono giá morti, já estão mortos, ele costumava dizer ), mas como um ato de misericórdia; a tortura, entretanto, era considerada por ele como um rebaixamento para o mesmo nível de crueldade repulsiva do inimigo. Porém, o Inquisidor Geral Myrddin, convencido da retidão de sua cruzada bem como de seus métodos, é imune a tais escrúpulos. Um aspecto interessante, é que ele é uma dessas raras pessoas entre os Inquisidores que desfruta
de uma enorme experiência como torturador e também de uma impressionante Fé Verdadeira. As duas coisas não estão necessariamente dissociadas, apenas não é comum que andem juntas.

A Sociedade de Leopoldo pode vir a ter de pagar um alto preço por ter escolhido Myrddin como líder. Verdade seja dita, ele está liderando a guerra santa contra os vampiros e seus correlatos (ele encara os lobisomens, entre outros, como ferramentas de vampiros), uma guerra que a maior parte dos Inquisidores sempre quis — e precisou — lutar. Com as escolas de combate que ele estabeleceu no Deserto Black Rock, em Nevada, e nos Pirineus Espanhóis, ele também está melhorando o preparo da organização para a guerra. Agora, cada Inquisidor carrega consigo uma bengala-espada e é muito hábil em usá-la. O próprio Myrddin instrui seus subordinados nas técnicas adequadas para transformar congregações religiosas em multidões de caça às bruxas sistemáticas. Infelizmente, ele não é capaz de cuidar das angústias espirituais de suas tropas, que são bastante sérias.

Alcoolismo, depressão e inclinação para a pornografia são comuns entre os Leopoldinos.


Além disso, não é de todo inesperado que um número significativo dos membros da elite ética da Sociedade se separe de seus companheiros em virtude do problema da tortura, muito embora esses indivíduos de moral elevada também tenham uma forte tendência a ser extremamente leais. No que concerne ao próprio Myrddin, ele poderá vir a ter o menor mandato da história dos Inquisidores Gerais deste século, se deixar a Família realmente muito preocupada — o que já deve estar acontecendo. Ele realmente é o Flagelo dos Amaldiçoados.[/justify]

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