Assassinato em Sweet Home

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Assassinato em Sweet Home

Mensagem por Mestre do Jogo em Ter Set 10, 2013 1:32 pm

'Cause nowhere, anywhere sometimes is home, sweet home...

Espaço destinado a contos e devaneios que passam pela cabeça deste autor que vos fala.

Sweet Home é uma cidade criada a partir da minha imaginação. 

Não sei se existe alguma cidade com este nome em nosso mundo real, e se existir, eu garanto a vocês que isso não passaria de uma simples coincidência, pois esta Sweet Home terá uma fantástica peculiaridade se comparada a qualquer eventual homônima sua: ela não será fixada em nenhum país do globo, podendo hora ser apontada como uma cidadezinha costeira dos Estados Unidos, hora como um vilarejo nas Highlands escocesas e assim por diante. Tempo também não será uma limitação, pois teremos contos passados no presente, passado e futuro.

Espero sinceramente que gostem do que lerem por aqui. Minha intenção é me divertir, e divertir os leitores que por aqui passarem.

Sendo assim, agradeço de antemão a todos que dispensarem qualquer parcela do precioso tempo de suas vidas para mergulhar nos Contos de Sweet Home. E se gostarem, indiquem a seus amigos... isso me deixaria com certeza ainda mais agradecido.

Forte abraço a todos!

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Capítulo I - Crying in the rain...

Mensagem por Mestre do Jogo em Ter Set 10, 2013 1:35 pm

As pernas ardem como se fossem feitas de metal líquido. Ácido percorre suas veias e músculos a cada nova passada desesperada. A condensação forte e descompassada formada pela respiração irregular se desfaz sob a chuva torrencial que açoita a cidade. Sua cabeça dói enquanto a pressão dentro dela aumenta como se duas mãos gigantes lutassem para esmagar seu cérebro. Os joelhos fraquejam, implorando por clemência, mas ele não pode parar, sua vida depende desta corrida desenfreada e ele tenta agarrar-se com todas as forças que lhe restam a esta esperança vã de que correr poderá livrá-lo do inevitável fim que se aproxima, até que toda ela se esvai, tolhida pelo frio e impiedoso muro de tijolos maciços que se ergue diante de seus olhos, bloqueando lhe o caminho. 

O triste desespero e a total e completa percepção de que tudo se acabou desabam sobre ele como soco no estômago, paralisando-o completamente. E assim, inerte, ele ouve o som de passos se aproximando por suas costas, chapinhando no fino lençol de água e detritos que são arrastados pelo temporal. O tão característico e conhecido som de um engatilhar se faz ouvir e magicamente liberta seus movimentos, permitindo que ele vire lentamente para encarar seu perseguidor. As lágrimas de seus olhos mesclando-se e fluindo com a chuva.

- Olá, Ikke.

E então ele esquece-se de quem é. Todas as ilusões trazidas por seu dinheiro e poder se desfazem no ar como uma miragem no deserto e ele se dá conta de que tudo aquilo pelo que passou durante sua vida, todas as pessoas que conheceu, tudo o que fez, ou pensou em fazer algum dia, estava prestes a acabar, e para sempre.

- Não! Não, não, não, não, não...

A voz não é mais do que um lamurio débil entrecortada pelos soluços.

- Não? Como assim, “não”, Ikke?

- Achou mesmo que isto não iria acontecer?

- Não fui eu, você não entende? Não... não fui eu!

- Athabasca Ikke. Diretor Presidente da Tomorrow Corporation, um mega conglomerado dono de várias outras empresas menores, legítimas e ilegítimas, entre elas o fundo de previdência privada Hope. É você, não é?

- Olha, olha... escute, eu... eu sinto muito, eu sinto. Foi o Frank, foi ele quem arquitetou tudo, a ideia toda. É ele quem você procura, é ele, não eu!

- Frank Diox, o Vice Presidente da empresa... Frank tinha dois péssimos hábitos: mulheres vulgares e falar dormindo... e por isso não vai se juntar a nós nunca mais na vida.

- Não faz isso. Olha, você não precisa fazer isso. Eu posso compensar as coisas pra você, eu posso arrumar tudo, é só você deixar. Me deixe fazer isso, por favor!

- Você pode ressuscitar os mortos, Ikke?

- O... o quê?

- Você pode ressuscitar os mortos?

- Você quer que... eu, não... você não...

- Você sabe rezar, Ikke? Frank sabia...

- NÃO!!! 


O ribombar do tiro é engolido pelo estouro do trovão que se segue ao raio que corta furiosamente os céus. Fragmentos de crânio e massa encefálica se espalham pela sarjeta. A água que escorre pelo chão funde-se ao escarlate do sangue. Frio como a chuva, ele nada sente, nem alegria, arrependimento ou remorso. Apenas observa imóvel o corpo que jaz à sua frente, e então avança, revistando lhe os bolsos.
A busca termina quando enfim ele encontra o que parecia estar procurando, dentro do elegante porta cartões de platina, ele retira o pequeno pedaço de papel retangular e lê a única coisa escrita nele em alto relevo e caligrafia impecável: Edward Shaw.

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Capítulo II - A Emoção da Caçada...

Mensagem por Mestre do Jogo em Ter Set 10, 2013 1:36 pm

Já se passaram mais de 3 anos desde aquela noite chuvosa em Montreal e desde então ele vem perseguindo seu alvo, estudando-o, conhecendo-o intimamente, seguindo-o pra onde quer que fosse, até que seus passos o levaram à pacata Sweet Home onde ele finalmente parou. Não foi difícil conseguir uma transferência para lá... bastou atirar seu antigo Delegado pela janela do Departamento.

James era um bom Detetive, sabia que suas informações envolvendo os poderosos da cidade eram suficiente para afundá-los num mar de lama para sempre, e eles sabiam disto também. Não... James não era o tipo de homem que eles gostariam de irritar ou matar, não quando tinham a certeza de que caso ele amanhecesse com a boca cheia de formigas os principais jornais da cidade receberiam alguns dossiês que fariam o escândalo de  Watergate parecer simples fuxicos de velhas lavadeiras. Além do mais, aquele Delegado sempre fora um tremendo escroto... James só fez o que muita gente queria ter feito a mais tempo.

E desde então, aqui está ele. Mais uma vez sentado sozinho em sua minúscula sala que dá para os fundos da Delegacia. O lugar é tão pequeno que mal comporta os porta-arquivos enferrujados de metal, três cadeiras e a mesa do Detetive, que agora encontrasse novamente absorto, mirando fixamente com os olhos aquele mesmo cartão de visitas que encontrara no beco tanto tempo atrás.

O som metálico do velho telefone de disco quebra o silêncio do ambiente, trazendo-o para a realidade daquela manhã fria de outono.

- Detetive James Porter falando. - diz ele, retirando o fone do gancho e levando-o até a orelha.

- Hey, Jimbo... adivinha só o que acabou de acontecer. - pergunta a voz masculina do outro lado da linha.

- Sua mulher finalmente devolveu suas bolas?

- Há há há... muito engraçado... escuta essa, mulher branca, 27 anos, encontrada morta no local de trabalho... te interessa?

- É tentador... mas eu continuo preferindo as vivas, Freddy.

- Mesmo que o endereço de trabalho dela seja a Shaw's Genetic and Research, e o corpo tenha sido encontrado no banheiro feminino do andar de Edward Shaw?

O cigarro molenga cai do canto de sua boca, queimando e enchendo de cinzas os papéis sobre o tampo da mesa.

- James?... você está aí?

Os olhos do homem erguem-se do cartão de visitas e voltam-se para o horizonte, indo muito além da lastimável fronteira formada pelas paredes tomadas de umidade de sua sala. 

- Estou indo pra lá. - responde ele, recolocando o fone no gancho. Em poucos minutos o mustang preto para no estacionamento do mais luxuoso prédio da cidade, erguendo-se muito acima dos outros, A Torre da Luz, como ficou conhecida a seda da Shaw's, a maior empresa de pesquisa e desenvolvimento genético da América do Norte.

Ele entra no prédio e sobe direto para o andar da Presidência. O distintivo garante-lhe passagem livre pelos corredores da empresa, por isso não demorou a se encontrar com o grupo de policiais que já estava lá investigando a área do crime.

- Vejam só o que o gato cuspiu. - diz um homem alto e magro com chapéu marrom e camisa branca sob os suspensórios pretos.

- E então, Sal... o que você tem pra mim?

- Bom... ela foi encontrada hoje de manhã quando a equipe de limpeza começou os serviços. Uma das faxineiras encontrou o corpo e ligou direto pra nós. Que forma de começar o dia, hein?

- É... morro de dó. - responde ironicamente ele.

- A quanto tempo ela deve estar aí? - pergunta, fazendo o homem de chapéu balançar a cabeça diante do costumeiro sentimentalismo do detetive.

- Nós estimamos que a hora da morte deve ter sido entre 5 e 6 horas atrás, e pelas marcas no pescoço parece que alguém estrangulou a pobre. Aqui, está vendo? - fala o homem, agachando-se ao lado do pequeno corpo da mulher de cabelos curtos e pretos, indicando com uma caneta a área da pele do pescoço onde podiam-se ver claramente marcar arroxeadas. 

- Alguém entrou aqui desde que comunicaram o caso?

- Segundo a segurança, não. Mas se entraram nós vamos saber. - responde ele, deixando o banheiro e apontando as câmeras de vídeo que guardam o corredor.

- Estamos aguardando o mandado do juiz Hopkins pra pegar os arquivos de vídeo da segurança.

- Parece que vai ser moleza. Não tinha jeito da pessoa que fez isso conseguir entrar e sair sem ser gravada. - comenta ele.

- Parece que sim... - pondera James, tendo certeza de que a pessoa que fez aquilo não era tão estúpida quanto Sal achava. Quando se mata alguém dentro do prédio de uma empresa como aquela, com um sistema de segurança como aquele, ou você é suicida ou já encontrou um meio de escapar... e só havia um corpo sem vida no banheiro.

- Anotaram as informações dela?

- Sim, estão com o Paul, logo ali.

O resto do dia de James foi tomado por interrogatórios, levantamentos de informações e muita dor de cabeça. Ao que parecia a falecida Marie Caleb não era o tipo de pessoa que possuía muitos inimigos. Era a responsável pela divisão de Pesquisas e Desenvolvimento da empresa, era extremamente competente e muito bem organizada. Sem parentes, nenhuma amizade mais profunda. Tudo o que ela tinha de mais íntimo era o marido, declarado como desaparecido cerca de 6 meses atrás. De modo geral ele não encontrou nenhum suspeito em potencial, ninguém alí que parecesse se beneficiar com a morte daquela jovem.

- E o mandado? - pergunta ele, esfregando os olhos para espantar o cansaço, aproximando-se do homem alto e magro.

- Ainda nada... o velho Hopkins provavelmente está coçando a bunda com ele neste momento enquanto conta a grana que deve ter ganhado pra nos atrasar.

- Me avise quando receber.

A lua despontava no céu quando o carro do detetive deixa a Shaw's e ganha as avenidas iluminadas da cidade. O vento gelado da noite entrava pela janela, fazendo a fumaça do cigarro desaparecer no ar enquanto James dirige pelas ruas, montando mentalmente o que conseguiu encontrar até agora das peças daquele quebra-cabeças, apenas para dar-se conta novamente de que não havia feito progresso algum até agora.

Menos de uma hora depois ele estaciona na frente de uma bela casa na periferia da cidade. Desce do carro e certifica-se de quem ninguém o está vendo quando começa a manipular a fechadura da porta dos fundos da casa de Marie, até fazê-la abrir.

Se nas coisas dela no trabalho não haviam pistas, talvez em sua casa as coisas fossem diferentes. O detetive vasculha a residência, tomando cuidado para não deixar marcas ou impressões digitais, legalmente ele não deveria estar alí, mas sua sede por Edward Shaw era mais do que suficiente para fazê-lo adotar uma visão mais elástica sobre a legalidade das coisas.

Depois de alguns minutos de busca nada de excepcional foi encontrado. A personalidade profissional de Marie refletia-se em sua vida privada, tudo estava muito limpo e muito bem organizado. Mas infelizmente não havia nenhuma anotação, nenhum documento, CD ou qualquer outra coisa que pudesse ser útil ao detetive.

Foi então que ele notou algo que lhe chamou a atenção. Marie tinha várias fotos expostas pela casa, muitas em que ela aparecia ao lado do marido...mas, estranhamente, parecia haver quase a mesma quantidade dela junto de uma outra mulher... uma amiga talvez? Quem sabe alguém com quem ela conversava frequentemente? Talvez uma confidente? James ainda se questionava sobre as novas possibilidades que aquela descoberta poderia trazer quando o som da porta da frente se abrindo lhe chamou a atenção.

Silenciosamente ele se coloca atrás da porta... quem mais além dele teria interesse em invadir a casa de Marie logo no dia de sua morte?

- Não se mova! - ordena ele, encostando o cano da arma na nuca da invasora. Então tudo aconteceu rápido demais para que sua mente pudesse processar. Sem entender o que havia acontecido ele já estava de joelhos, sentindo a falta de ar e o enjoo que tomavam conta dele após o chute preciso que tomara nas bolas. Ele ergue o rosto para tentar ver o que houve, mas tudo o que vê é a aproximação daquele punho que o acerta em cheio no maxilar... depois disso só o que viu foi a escuridão... James estava nocauteado.

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Capítulo III - Encontros e Desencontros

Mensagem por Mestre do Jogo em Ter Set 10, 2013 1:37 pm

"O cemitério está cheio de idiotas... cheio de idiotas... idiotas..." As palavras ecoam fantasmagoricamente em sua mente enquanto a cabeça voadora de cabelos morenos olha pra ele e sorri histericamente chegando cada vez mais perto, agigantando-se. 

"Olá, Sr. Porter! Posso ajudá-lo?" Ele tenta correr, mas é em vão... suas pernas amolecem, a cada nova passada é como se elas se enterrassem na lama. A cabeça toma conta de todo o horizonte. Ele grita, tenta disparar contra ela, mas de nada adianta, até que todo ele é engolido por aquela enorme boca que o traga. Seu corpo é engolfado pelo turbilhão negro que o arrasta cada vez mais pra baixo a uma velocidade vertiginosa. Ele vê um pequeno ponto cinza lá embaixo, tornando-se maior enquanto a queda continua, até que se torna possível distinguir um túmulo e uma cova aberta ao lado... com cuidado ele lê as inscrições nas lápides: "Aqui jaz Jacob Porter. Que bons ventos o levem." e ao lado na cova aberta: "Aqui jaz James Porter. Mais um idiota no cemitério". A cova enche-se de sangue que logo transborda e toma conta de tudo. Seu corpo mergulha no vermelho escarlate. Ele solta um último grito.

- NÃO!!!

Uma luz cegante cai sobre seus olhos, fazendo-o piscar duas, três vezes. A dor latejante o faz levar a mão até o queixo. Então o borrão branco diante de suas vistas começa a se desfazer, até que ele se vê deitado sobre um dos sofás da casa de Marie com sua pistola apontada diretamente pra sua cabeça.

-Fique calmo e deitado. - orienta a pessoa que segura a pistola. Mesmo que quisesse James sentia que não tinha nenhuma condição de tentar levantar-se rápido o suficiente pra escapar de um tiro. Ele observa em silêncio a mulher que segura a arma. Cabelos ruivos caiam em cascata emoldurando o rosto de feições clássicas. Olhos verdes e marcantes sobre um nariz fino e delicado seguido por uma boca de lábios pequenos cor de carmim. O corpo de curvas provocantes era coberto por roupas caras e elegantes. Pendurado ao pescoço um fino fio de prata segurava um pingente onde se via encrustada uma pedra púrpura, quase à altura dos fartos seios cobertos pelo decote da blusa de seda cor de vinho.

- Quem é você? - pergunta ele, permanecendo deitado.

Para sua surpresa, a mulher lhe entrega a arma antes de responder:

- Sou Lilith Mayfair. Amiga de Marie.- diz ela

Agora sua ficha finalmente caíra... ele já havia visto aquele rosto de olhar marcante antes. Era o mesmo olhar da mulher que aparecia ao lado de varias fotos com Marie Caleb. Mas o que ela estaria fazendo alí?

- Eu sou Jam...

- James Porter, detetive da polícia de Sweet Home. - atalha ela - Eu sei. Peguei seus documentos quando você estava desacordado e liguei pra polícia pra checar se eram verdadeiros. - conclui a mulher, tendo a sutileza de empregar o termo "desacordado" ao invés de "nocauteado".

- Muito esperto da sua parte. - comenta ele com sinceridade.

- Obrigada. E desculpe pela forma como reagi, o senhor me pegou de surpresa. Pensei que fosse algum ladrão.

- Bom... eu mal consigo me lembrar da última vez que as minhas partes íntimas foram esmigalhadas por uma mulher tão bonita. Então eu aceito suas desculpas. Você é bastante rápida, Srta. Mayfair... e bastante forte também. - diz ele, esfregando o maxilar.

- Como conseguiu entrar na casa?

- Com a chave. - responde ela.

- Marie e eu moramos juntas antes dela se casar. Ela tinha o hábito de guardar uma chave reserva escondida debaixo de um dos vasos de planta ao lado da porta de entrada. Parece que não o perdeu depois de casar.

Com cuidado ele começa a erguer o tronco no sofá. O enjoo havia passado, mas ainda sentia-se um pouco tonto pelo soco no queixo.

- Eu vim pra cidade pra uma apresentação. Toco violino. Marie ficou de me buscar no aeroporto... mas não apareceu, nem atendeu às ligações. Então peguei um táxi e vim pra cá.

- Isso explica. - comenta ele, agora sentado, guardando a arma no coldre ao lado do flanco esquerdo.

- Só não explica o que o senhor estava fazendo ao invadir a casa da minha amiga e vasculhando tudo por aí como se quisesse encontrar alguma coisa de valor pra roubar, detetive.

É... não respondia mesmo. Pelo que Lilith falou ela ainda não sabia o que havia ocorrido com sua amiga, e James teria que dar-lhe a trágica notícia.

- Você está certa. - responde o detetive - Eu vou explicar o que estava fazendo aqui, mas preciso que você se sente antes.

Ele viu que aquela condição causou mais do que uma simples curiosidade na mulher. Havia preocupação nos olhos dela... ao que parece, os golpes não eram a única coisa que trabalhava velozmente em Lilith que não protestou e atendeu ao pedido rapidamente para ouvir o quanto antes a explicação de James. Ele odiava essa parte do serviço. Dizer a alguém que um ente querido foi assassinado nunca era uma experiencia agradável. Algumas pessoas choravam, outras desmaiavam, e haviam aquelas que tinham ataques histéricos. Ele não sabia como Lilith reagiria... e não estava nem um pouco ansioso pra descobrir.

- Não existe uma forma delicada de dizer isto, srta. Mayfair. - fala ele, deixando-a ainda mais apreensiva - Então vou ser claro e direto.

- Marie Caleb foi assassinada esta madrugada. 

Por alguns instantes pareceu que Lilith não ouvira o que James acabara de falar, e ela continuava olhando-o como se aguardasse pelo resto da sua explicação.

- O corpo dela foi encontrado hoje de manhã, na empresa onde ela trabalhava. - continua ele, ainda esperando alguma reação da parte dela.

- Eu sinto muito. - termina ele. E enfim o cérebro de Lilith parece ter recebido a informação, pois assim que o detetive deu-lhe as condolências lágrimas subiram-lhe aos olhos verdes, marejando-os, até rolarem por sua face alva que logo ganhou tons avermelhados. James deixou que ela chorasse assim por alguns instantes, indo até a cozinha e regressando com um copo com água e açúcar.

- Você disse que ela foi... assassinada? - pergunta ela, pronunciando com incredulidade a última palavra.

Ele assente com a cabeça.

- Eu estou investigando o caso. Por isso vim até aqui, na esperança de encontrar alguma pista. Tome. - diz ele, pegando um lenço de papel que estava em uma caixa sobre a mesinha de centro da sala, o entregando a ela.

- E conseguiu encontrar alguma coisa, detetive?

- Nada importante infelizmente... a não ser, talvez...

- A não ser o que? - pergunta ela ansiosa, terminando de enxugar as lágrimas com o lenço.

- Você.

Os olhos verdes piscaram de perplexidade, fazendo com que James continuasse imediatamente.

- Encontrei muitas fotos de vocês duas juntas, estão por toda a parte da casa. Parece que vocês eram bem ligadas... e se mantinham contato, mesmo que a distância, pode ser que Marie tenha mencionado a você algo pelo que ela estava passando nos últimos meses. Algum problema em especial, alguma suspeita, preocupação... algo do gênero. - sugere ele, ansioso pra que ela tivesse um estalo e lembrasse de alguma coisa importante ou estranha que sua amiga tenha mencionado em alguma conversa.

Antes que Lilith tivesse a oportunidade de responder o som de pneus derrapando quebra o silêncio da noite, e em seguida uma saraivada de balas atravessa as janelas da casa, fazendo James atirar-se do sofá sobre Lilith, atirando os dois ao chão enquanto ele cobre o corpo dela com o seu, protejendo-a dos tiros incessantes.

Assim que os tiros param o detetive parte celerado pela casa, atravessando o que restou da janela em um salto, rolando na grama do jardim de arma em punho. James descarrega todo o pente de balas no veículo dos atiradores, mas já era tarde demais... o carro dobra a esquina e desaparece na noite.

Ele vê quando Lilith aparece assustada correndo pela porta em sua direção.

- Moça... eu acho bom você lembrar bem de todas as conversas que já teve com sua amiga. - diz ele, olhando sombriamente para ela enquanto o som de sirenes se anuncia ao longe...

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Capítulo IV - Confissões Noturnas...

Mensagem por Mestre do Jogo em Ter Set 10, 2013 1:39 pm

- Chegamos.


Ela permanece imóvel diante da porta aberta, segurando a pequena bolsa nas mãos juntas diante do quadril, esforçando-se para não parecer chocada enquanto seus olhos esquadrinhavam o ambiente, indo da mistura de sala e quarto à pequena cozinha anexa e a porta que levava ao banheiro. O lugar era quente e úmido. O cheiro de cigarro parecia estar impregnado nas paredes. Tudo alí remetia à depressão.


- Não é o Palace, - diz ele, percebendo o mal estar estampado nas feições de Lilith - mas pelo menos ninguém vai passar por aqui fuzilando o prédio.


Lilith não tinha muita certeza se aquilo lhe servia de consolo, mas seus pés venceram a resistência inicial e seguiram o detetive pra dentro de seu modesto apartamento. Ela insistira em ir para um hotel, mas James recusou-se a perder sua única, e incerta, pista de vista. Ele temia que os atiradores pudessem ter deixado alguém de vigia, o que fatalmente teria colocado a vida de Lilith Mayfair em risco assim que os dois se separassem.


Ela não compreendia... como poderia estar correndo perigo de vida? Acabara de chegar na cidade, não conhecia ninguém alí com exceção de Marie... como poderia sua vida representar ameaça a quem quer que fosse? Mas Marie estava morta... assassinada, e instantes atras a casa onde ela estava foi crivada de balas. Tudo naquele dia parecia não fazer sentido algum, ela nem havia tido tempo de organizar seus pensamentos. Achou melhor não insistir com o detetive na questão do hotel, além de lhe parecer inútil, ficar com ele lhe daria a chance de saber mais sobre o que o que acontecera com sua amiga.


- Obrigada. - diz ela, entregando a James o casaco que estava usando, caminhando para o meio da... sala?


Ele a observou por alguns segundos enquanto ela percorria o imóvel com os olhos. Ver uma mulher como aquela, com aquela elegância e com aquele porte era como ver uma princesa em uma estalagem... simplesmente não combinava.


- Bebe alguma coisa? - pergunta ele, depositando o fino casaco sobre o cabide de madeira, passando por ela, indo em direção da pequena geladeira de cantos arredondados.


Sua tendência natural era responder com um "não"... mas dados os últimos acontecimentos pelos quais passara ela faz que sim com a cabeça. Uma boa taça de vinho lhe ajudaria a colocar as idéias no lugar, mas ela não surpreendeu-se quando James retornou, entregando-lhe uma garrafa de cerveja.


- A outra opção seria água. - sorri ele, sentando-se na cadeira ao lado da janela, indicando a ela o sofá de dois lugares próximo a ele. Sem ter nada agradável pra responder ela limita-se a erguer um pouco a garrafa, correspondendo ao gesto do detetive, bebendo um gole do líquido amargo, sentando-se no sofá puído em seguida.


- Então... Marie não falou nada diferente nas últimas vezes em que vocês conversaram? Nada mesmo? - questiona James, segurando a garrafa com os cotovelos apoiados nos joelhos, inclinando o corpo na direção de Lilith


- Nada. - responde ela


- Em nossa última conversa o assunto foi praticamente o mesmo de todas as vezes. As novidades desde a conversa anterior... as lembranças dos tempos em que morávamos juntas, os planos e compromissos pras próximas semanas.


- Eu notava uma tristeza na voz dela. - neste ponto James notou uma mudança nas feições de Lilith, como se ela se imaginasse ao lado da amiga quando falou aquilo.


- Mas eu sabia que era pelo desaparecimento do John... o marido dela. - curioso... agora a expressão mudou novamente, de compaixão pra algo muito parecido com... raiva? James resolveu sondar um pouco mais aquele sentimento.


- Eu vi algumas fotos do casamento deles na casa. - começa ele - Mas não vi nenhuma foto com você nele.


Ela olha pra ele com um certo ar de ironia, dando outro gole na cerveja antes de começar a responder.


- E nem me veria, detetive. - diz, com um sorriso malicioso - Eu não fui convidada.


- Não? E por que motivo? Afinal, vocês pareciam bastante ligadas, era de se esperar que Marie a convidasse, até mesmo para Madrinha.


Lilith não sabia se era pela cerveja ou por James ter cogitado a possibilidade dela ser Madrinha em um casamento de Marie.


- Não foi por falta de convite de Marie que eu não compareci. - responde ela, começando a conter o riso - Foi por falta de convite "dele". - completa, frisando bem a última palavra - Na verdade, na última vez em que visitei os dois antes do casamento ele deixou bastante claro que eu não seria bem-vinda.



- E havia alguma razão pra isso? - pergunta James, intrigado com as possibilidades de resposta.


Lilith sorri, e termina de beber todo o conteúdo da garrafa em um longo e demorado gole.


- Você convidaria a ex-amante da sua futura esposa pro seu casamento, detetive?

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Capítulo V - Revelações

Mensagem por Mestre do Jogo em Ter Set 10, 2013 1:40 pm

A noite avança enquanto o detetive fuma seu cigarro sentado no beiral do janelão que dá para a estreita sacada, e dalí pra rua. O luar atravessava a fumaça cancerígena do cigarro e banha seu torso nu. James sentia o ar gelado da madrugada soprar em seu tórax e costas, mas não se importava, gostava do frio, o fazia pensar com clareza.
 
E alí, deitada em sua cama, estava aquela em quem ele pensava no momento. Ocasionalmente rajadas de vento entravam pela janela e balançavam os cabelos cor de fogo de Lilith, revelando melhor seu rosto que assumia um ar angelical enquanto dormia. O misto de malícia e inocência é uma arte que somente as mulheres conseguem dominar com maestria, e é também uma das suas ferramentas mais eficazes para enlouquecer os homens, com James não era diferente.
 
Ele toma mais um gole de cerveja enquanto sua mente repassa os acontecimentos daquele dia. Marie deve ter descoberto algo muito importante e muito sujo na Shaw's, e ela não pretendia manter a informação em segredo... iria divulga-la. Só isso explicaria um ato tão desesperado quanto matar uma pessoa dentro de uma das empresas mais famosas do país. Disso ele tinha certeza.
 
Se ela e Lilith eram tão... íntimas, isso poderia ser útil nas investigações. Mesmo que a ruiva não soubesse de nada que pudesse levar alguém a querer eliminar Marie, ainda assim o assassino não saberia disso, e sua mente rapidamente começaria a sentir a inconfundível sensação de curiosidade. Curiosidade por saber o quão amigas elas eram... com que frequência se falavam, e sobre o que falavam. Sim... esta seria uma ótima maneira de atrair a atenção do assassino, de fazê-lo se revelar.
 
Claro que isso colocaria Lilith na mira de alguém que não hesitou em cometer um crime sórdido e chamativo, ela poderia sofrer um acidente a qualquer hora, sua vida estaria em constante perigo. Usar uma inocente pra prender o bandido... no que isso o transformaria? Ele preferia não pensar, e foi deitar-se com esta certeza.
 
Ela desperta quando os primeiros raios de sol caem sobre seus olhos. A cama não era nem de longe tão confortável quanto aquelas a que estava acostumada, mas sentia-se revigorada, depois de tudo pleo que passou desde que chegou na cidade uma boa noite de sono era tudo de que precisava. Ainda sonolenta ela ergue-se um pouco sob os lençóis e vasculha o apartamento com os olhos, até encontrar o corpo do detetive adormecido no sofá que ela ocupara enquanto conversavam. Ela sente um certo alivio por isso... não tinha o hábito de dormir na casa de desconhecidos, mesmo quando ainda era mais jovem e tinha uma vida noturna mais badalada. Foi bom constatar que James não era o tipo de homem que se aproveita de uma situação como esta.
 
Depois de alguns instantes ela se dá conta de que ainda está olhando para o corpo de seu companheiro de quarto. Os olhos passeando pelo rosto de barba por fazer, descendo pelo pescoço, dando uma volta pelos ombros largos e caminhando pelo peitoral másculo e bem definido, acompanhando a linha que segue por seu abdômen, até chegar na bainha de sua calça jeans... e um pouco mais pra baixo. Talvez tenha sido o sono que ainda não lhe abandonara completamente, ou talvez sua imaginação, mas ela podia jurar que havia visto algo se avolumando sob o tecido da calça.
 
Ela pegou-se rindo marotamente de si mesma com aquilo, depois sentiu-se mal, ao lembrar-se da razão pela qual havia dormido alí. O sentimento mauzão a fez voltar a si, jogando os lençóis brancos pro lado e saindo da cama com passos leves e silenciosos para não acordar o detetive. Ela junta algumas peças de roupa de suas malas que James a ajudara a levar até o apartamento e vai para o banheiro banhar-se.
 
“Inferno..” pragueja ele para si mesmo, deixando de fingir estar dormindo quando escuta a porta do banheiro fechando-se.
 
Ele levanta-se do sofá, sentindo suas costas reclamarem fazendo juras de vingança. Havia acordado de verdade mais cedo, mas não quis embaraçar Lilith quando ela saísse da cama de camisola, por isso voltara a deitar, aguardando por ela. Agora já de camisa posta e calça trocada ele passa café pros dois, atendendo o telefone que toca a seguir.
 
- Fala, Sal. É... noite agitada. Já? Ok... deixe o resto comigo. – diz ele, desligando o telefone. Enfim eles receberam a autorização para acessar os arquivos de vigilância do prédio.
 
Pouco tempo depois Lilith reaparece, passando pela porta aberta do banheiro, pronta para encarar mais um dia em Sweet Home.
 
Os dois tomam um desjejum frugal enquanto conversam sobre amenidades, tentando manter o clima pesado de lado ao menos por alguns momentos. Ao terminarem James atualiza a ruiva sobre as notícias que recebera e eles partem para a Shaw’s, onde recebem toda a colaboração que um mandado judicial pode inspirar.
 
Passam a maior parte do dia analisando os vídeos. Voltando, pausando, avançando, levantando informações sobre algumas pessoas com atitudes suspeitas. Ao final da tarde eles conseguiram 3 ladrões de materiais de escritório, 2 casais que gostam de transar no arquivo morto, 5 fumantes de banheiro e um viciado em cocaína... e nada de assassino. Marie trabalhava nos andares subterrâneos do prédio onde são desenvolvidas as pesquisas mais importantes da empresa, e onde não há câmeras com sistema de gravação... afinal, em um lugar onde a combinação certa de moléculas certas pode render milhões a última coisa que você quer é deixar registros que podem ser roubados por concorrentes, ou terroristas.
 
Seja como for, o último percurso de Marie na Shaw’s envolve sua saída deste setor, tomando o elevador para o andar da Presidência, indo até a sala de Edward Shaw e saindo de lá menos de 10 minutos depois, entrando no banheiro feminino do andar e dalí ela só saiu morta na manhã seguinte. Ninguém a interceptou desde sua saída dos subterrâneos até o banheiro... com exceção de uma pessoa... Edward Shaw.
 
- De quem é o número pra quem ela ligou?
 
- Um número de outra cidade, registrado em nome de Lilian MacAllister... – responde ele, após achar o nome escrito em seu bloco de anotações – Estamos aguardando a operadora nos enviar os dados do cadastro dessa conta. O nome não bate em nossos registros.
 
- Nem deveria... – comenta Lilith, fazendo James voltar-se com curiosidade para seus olhos verdes.
 
- Eu sou Lilian MacAllister, detetive. – conclui ela, sustentando o olhar do homem.

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